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Outro planeta | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os americanos costumam dizer que Nova York não fica nos Estados Unidos mas de vez em quando acho que os Estados Unidos ficam noutro planeta. Apesar dos empates nas pesquisas sinto que o momento americano sopra mais a favor do presidente. Atolado no Iraque, endividado dentro e fora de casa, brigado com mais de meio mundo, amigo das grandes indústrias, fala uma língua e mal, ele mesmo reconhece, pode estar a caminho de mais quatro anos na Presidência. Pode derrotar um político mais culto, bem-informado, poliglota, herói de guerra, milionário, amigo do resto mundo e do meio ambiente. Al Gore, também derrotado por Bush em 2000, tinha qualidades semelhantes às de Kerry e uma experiência em governo bem maior do que a do senador. Um homem que nasceu para ser presidente. Um embaixador brasileiro naquela época disse que comparar George Bush com Al Gore era como um Rolls Royce e um Yugo, o carro iugoslavo mais barato e menos confiável dos Estados Unidos. Ganhou o Yugo. Al Gore e John Kerry, muito mais preparados e transparentes, não conseguem despertar paixões. Entram na cabeça mas não chegam ao coração, não conquistam a confiança do eleitor. Os republicanos estão muito mais apaixonados pelo próprio candidato do que os democratas que irão às urnas para votar contra Bush. O voto negativo é um voto menos confiável. Se o tempo estiver ruim ou a fila muito longa o apelo negativo costuma perder a força e a previsão para Ohio e outros estados-chave é de tempestades. A grande esperança de Kerry está no voto dos que, por um motivo ou outro, vão votar nesta terça-feira pela primeira vez. |
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