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Sharon diz que Oriente Médio vive momento de mudança | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, afirmou nesta quinta-feira, sem se referir ao líder palestino Yasser Arafat pelo nome, que o Oriente Médio chegou a um "momento de mudança histórico". Sharon disse que Israel vai procurar um acordo de paz com os palestinos sem demora. "Os últimos acontecimentos devem representar um momento de mudança no Oriente Médio", afirmou. "(O progresso em direção à paz) depende principalmente do fim do terrorismo e de que eles (os líderes palestinos) travem uma guerra contra o terrorismo", acrescentou o primeiro-ministro israelense. Antes de Sharon se pronunciar, o ministro da Justiça de Israel, Tommy Lapid, se recusou a expressar condolências ao povo palestino pela morte de Yasser Arafat. O ministro disse que sente "um ódio profundo por Arafat, que não é pessoal, pois ele causou a morte de milhares de israelenses e impediu um acordo de paz". Segundo o ministro israelense, "Arafat foi o principal estrategista do terrorismo internacional e a Al-Qaeda se baseia no caminho de Arafat". Ódio Mais cedo, a repórter da BBC Brasil em Tel Aviv, Guila Flint, informou que o gabinete de Sharon não tem planos de divulgar um comunicado especial sobre a morte do líder palestino Yasser Arafat. Alguns dias antes da morte de Arafat, Sharon determinou que somente alguns ministros poderiam se expressar sobre o tema, entre eles Tommy Lapid. Lapid afirmou que Arafat causou danos não só ao povo israelense, mas também "dor e destruição ao povo palestino". Segundo o ministro, "se não fosse Arafat, já poderia haver paz na região e os palestinos já poderiam ter um Estado". Quanto ao futuro, o ministro israelense afirmou que "a chave para qualquer avanço é a questão do terrorismo e, se a nova liderança palestina for moderada e der um fim ao terrorismo, o governo israelense poderá conversar com ela". Shimon Peres O líder do Partido Trabalhista, Shimon Peres, disse que "não quer ferir os sentimentos dos palestinos", mas também evitou expressar condolências pela morte do líder palestino. Peres – que junto com Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin recebeu o prêmio Nobel da Paz – declarou que o líder palestino cometeu erros, mas também acertos. "Quando recorreu ao terrorismo, Arafat errou, mas quando tomou o caminho do diálogo. Arafat teve êxitos", afirmou Peres. De acordo com o líder trabalhista, Arafat quis ser popular e, por isso, não lutou contra o terrorismo e esse foi o seu principal erro. "Porém, não podemos esquecer que Arafat fez uma concessão que nenhum outro líder palestino poderia ter feito, pois nos acordos de Oslo reconheceu a solução de dois Estados, o palestino ao lado do israelense", acrescentou Peres. "Nos últimos anos, Arafat perdeu a sua credibilidade pois oscilou entre os dois pólos, o pólo do terrorismo e o pólo do diálogo político", concluiu. |
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