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Com ou sem Bush, 'Alca já morreu', diz Fishlow | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia, em Nova York, Albert Fishlow, disse à BBC Brasil que a reeleição de Bush não deve ter impacto significativo nas negociações para a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). "Eu acho que a Alca já morreu", disse Fishlow. Segundo o economista, a Alca teria "morrido", por um lado, pela "relutância do Brasil em sair das relações com os países do Mercosul" e, por outro, pelo fato de que, aceitar um acordo considerado positivo pelo Brasil, poderia ter tido um "impacto negativo na campanha eleitoral de Bush". "Havia um acordo de não ter progresso mais nesse campo", afirma Fishlow, que diz acreditar ser muito difícil a retomada das discussões, mesmo agora depois das eleições americanas. OMC Na opinião de Fishlow, o que conta agora é o que pode acontecer na OMC, onde há "a possibilidade de que as negociações favoreçam os países em desenvolvimento". "O que está acontecendo em Genebra poderia satisfazer o Brasil muito mais, já que o país está interessado na possibilidade de exportação contínua dos produtos agrícolas". Fishlow diz acreditar que o Brasil também poderia se beneficiar muito mais se negociasse independentemente com os Estados Unidos, mas afirma que isso não vai acontecer porque existem agora três presidentes alinhados dentro do Mercosul. O economista se refere aos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Néstor Kirchner (Argentina) e ao novo presidente do Uruguai, Tabaré Vásquez, eleito no último fim de semana. Fishlow lembra que as negociações do Mercosul com a União Européia não avançaram muito porque "a Argentina estava querendo reconstruir a indústria local e não poderia permitir a abertura do mercado para os produtos europeus". Por conta dessa postura adotada pelos países do Mercosul, Fishlow prevê uma divisão na América Latina nos próximos anos. "O México e outros países da América Central vão ter uma relação mais estreita com os Estados Unidos, enquanto a América do Sul terá uma política externa muito mais balanceada em relação ao mundo como um todo", afirma. Economia americana Fishlow diz acreditar que dois assuntos econômicos deveriam merecer a atenção do presidente americano no segundo mandato: o déficit da conta corrente, em torno de 6% do PIB, e o déficit público, em torno de 3,5%. O economista afirma que, apesar de ter evitado lidar com o déficit público até agora, o presidente Bush não tem como escapar do problema. "Uma coisa é o que ele falou na campanha. Outra coisa é a continuação do déficit e as implicações nas taxas de juros internas e no nível de investimento interno", diz. A solução para o problema passa, na opinião dele, pela redução dos gastos, já que Bush estaria comprometido com cortes de impostos. "Como conseqüência, eu vejo uma redução das tropas dentro do Iraque, do Afeganistão e de uma forma geral na política externa dos Estados Unidos." Dólar Para equilibrar as suas contas, os Estados Unidos terão de lidar também com o problema de um dólar muito forte. Fishlow acredita que poderá haver um acordo parecido com o Acordo de Plaza, fechado em 1985 entre os países do então G-5, orquestrando a desvalorização da moeda. O economista afirma que, se o presidente americano conseguir equilibrar as contas públicas em seu segundo mandato, isso poderá representar uma oportunidade para que a América Latina aumente as exportações de produtos manufaturados para os Estados Unidos "Já um cenário negativo implica uma redução dentro da economia mundial na hora em que a economia da América Latina está começando a exportar pela primeira vez. Então, uma redução da atividade na Europa, na China e nos Estados Unidos vai ter conseqüências adversas para o Brasil e para o resto do continente", completa. |
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