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Atualizado às: 26 de outubro, 2004 - 02h06 GMT (23h06 Brasília)
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Candidatos 'nanicos' podem pesar nas eleições dos EUA

O candidato do Partido da Reforma à presidência dos Estados Unidos, Ralph Nader
Democratas culpam Nader pela derrota de Al Gore nas eleições presidenciais de 2000
O sistema bipartidário americano não falha: todo mundo sabe que ou republicano George W. Bush ou o democrata John Kerry vai ocupar o Salão Oval da Casa Branca durante os próximos quatro anos.

Curiosamente, no entanto, é muito fácil ser candidato à presidência dos Estados Unidos e diversos pequenos partidos - além de dezenas de independentes, às vezes concorrendo apenas em um Estado - também lançam seus nomes nas eleições.

As chances de vitória são nulas, mas com a disputa apertada entre os dois grandes partidos, estes pequenos candidatos - em especial o ex-verde e hoje independente Ralph Nader - podem acabar influenciando o resultado final, mesmo sendo pequeno o número de eleitores que os segue.

Muitos democratas dizem que se no ano 2000 Ralph Nader não tivesse tirado votos do democrata Al Gore na Flórida, Bush não estaria hoje na Casa Branca. Este ano, apesar dos insistentes pedidos de democratas e mesmo de muitos de seus simpatizantes para que não concorresse, Nader voltou à carga e está na cédula eleitoral em 34 estados.

Nacionalmente, Ralph Nader não passa de 1% nas pesquisas eleitorais, mas chega a ter índices maiores, de até 2%, em estados-chave, como a Flórida. Números pequenos, mas observados com atenção em um ano em que qualquer voto é muito disputado.

Influência

 Me irrita ver que os democratas sempre acham que nós temos a obrigação de votar para eles e não para o Ralph Nader. É verdade que a situação com o Bush agora é horrível e tem de mudar. Mas no fim das contas não há diferenças de verdade entre os republicanos e os democratas.
Steve Kiret, eleitor de San Francisco

Analistas concordam, no entanto, que a influência de Ralph Nader deve ser menor este ano do que foi em 2000, principalmente porque naquele ano a percepção de muitos eleitores era de que não havia diferenças reais entre o republicano Bush e o democrata Gore. Mas depois do início da Guerra ao Terrorismo e do ataque ao Iraque, as divisões na sociedade e na política americanas ficaram bem mais claras.

Os eleitores de Nader - e também do Partido Verde - costumam se descrever como mais progressistas do que o Partido Democrata em geral e do que John Kerry em particular. Mas a repulsa ao presidente Bush está fazendo com que muitos destes eleitores deixem parte de seus princípios de lado e votem em Kerry.

"Ainda não sei o que fazer. Nos últimas duas eleições votei em Ralph Nader e faria isto de novo se tivesse coragem. Mas fico com medo do que aconteceu quando Bush foi eleito, em 2000. Votei em Ralph Nader e acabamos nos dando muito, muito mal", reclama o eleitor Steve Kiret, de San Francisco, na Califórnia.

As pesquisas ainda mostram alguma mudança nos números de intenção de voto quando Nader é excluído da lista de candidatos apresentada aos entrevistados. Analistas, no entanto, acreditam que muitos dos eleitores que vão às urnas no dia dois de novembro para votar em Nader - ou em outros nanicos - nem sairiam de casa se seu candidato não estivesse na corrida.

Verdes

Nas eleições de 1996 e 2000, Ralph Nader, foi candidato à presidência pelo Partido Verde. Este ano, o advogado de direitos do consumidor - que fez fama lutando contra grandes corporações durante as três últimas décadas - e os verdes não conseguiram chegar a um acordo para repetir a dose.

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 Kerry e Bush são os candidatos dos partidos das corporações. Kerry votou a favor da Guerra no Iraque, a favor da redução dos direitos civis e ele é contra o atendimento universal a saúde, mas Bush é um perigo imediato para o mundo. Bush e seus neoconservadores são assustadores.
David Cobb, candidato do Partido Verde à presidência americana

O partido teria mostrado disposição em suavizar as críticas a Kerry em estados-chave e se concentrar em ganhar votos naqueles em que o resultado é certo. Nader queria uma campanha com ataques distribuídos entre os dois partidos. É o que ele está fazendo agora como candidato independente em alguns estados e representante do Partido da Reforma em outro.

"Ralph Nader é pessoalmente um ídolo meu, mas ele disse que não estava buscando e nem aceitaria uma indicação do Partido Verde para concorrer à presidência este ano", disse o candidato do Partido Verde em 2004, David Cobb.

O candidato verde também ataca Kerry, que ele descreve como "vendido para as grandes corporações", mas diz que vai entender se seus eleitores, em estados-chave como o Ohio e a Flórida, votarem nos democratas, contra Bush.

"Assustadores"

Apesar de não estar nem aparecendo nas pesquisas este ano, Cobb diz que os verdes querem ganhar a presidência em 2012 ou 2016.

"E quando ela for eleita, ela vai poder avançar com toda esta agenda anticorporativa e a favor do ser humano que o Partido Verde defende."

Apesar de muitos analistas identificarem uma forte onda conservadora nos Estados Unidos, Cobb afirma que a "agenda progressista está fincando raízes nos Estados Unidos".

"Em 1996 estávamos em dez estados, passamos para 21 em 2000 e estamos em 44 hoje. Em 1996 tínhamos 40 pessoas em cargos eletivos, em 2000 passamos para 80 e hoje já chegamos a 207", comemora.

Libertários

Mas embora o Partido Verde tenha ganhado grande destaque depois da candidatura de Ralph Nader no ano 2000, o terceiro maior partido americano é o Libertário, ainda infinitamente menor do que democratas ou republicanos. Os libertários têm cerca de 300 pessoas espalhadas em cargos eletivos locais pelos Estados Unidos.

Para o Partido Libertário, quanto menos governo, melhor. Eles se opõem radicalmente a leis que regulem a vida do indivíduo, como as que proíbem o consumo de drogas ou obrigam o uso do cinto de segurança.

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Chris Maden torce para que o candidato libertário Michael Badnarik tire votos de Bush

"Nós acreditamos que o governo não tem de se intrometer em nada que tenha a ver com escolhas pessoais, que não tenham reflexo na sociedade. Por esse lado, podemos ser considerados liberais (como o Partido Democrata)", explica a secretária dos libertários, em San Francisco, Marcy Berry.

Os libertários discordam, no entanto, da visão de um Estado forte na economia, que costuma ser defendida pelos liberais.

"Na economia nós também achamos que o estado não tem de se intrometer porque o mercado pode alcançar o equilíbrio. Por esse lado, somos considerados conservadores. Para nós, a proposta do presidente Bush de reduzir impostos para que as empresas produzam e dêem emprego é uma coisa óbvia", diz Marcy Berry.

Tradicionalmente, os libertários são vistos como mais próximos dos republicanos do que dos democratas, principalmente devido à identificação em relação à defesa de um estado mínimo.

Mas as ações militares do presidente Bush no exterior e as investidas do governo contra alguns direitos civis e à privacidade - em nome do combate ao terrorismo - irritaram muitos destes libertários.

"Para mim, o melhor cenário seria uma vitória de Michael Badnarik (o candidato libertário), mas o segundo melhor seria ver meu candidato tirando votos de Bush em algum estado-chave e dando a vitória para Kerry. Já ouvi diversos republicanos muito insatisfeitos com Bush, mas que não aceitam Kerry, pensando em votar em Badnarak", disse o presidente do Partido Libertário em San Francisco, Chris Maden.

“Nader tirou a vitória dos democratas em 2000 e ganhou uma enorme divulgação. Para nós seria ótimo se coisa parecida acontecesse com Bush este ano."


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