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Atualizado às: 25 de outubro, 2004 - 14h26 GMT (11h26 Brasília)
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Massacre mina transferência de poder no Iraque

Recrutas iraquianos
Massacre de mais de 40 soldados é golpe em estratégia americana
O massacre de mais de 40 recrutas do Exército iraquiano representa mais um golpe na estratégia de transferir operações de segurança dos Estados Unidos e outras tropas estrangeiras para forças locais.

Existe um ciclo vicioso que não consegue ser partido. Quanto mais forte a insurgência, mais os Estados Unidos são necessários. Quanto mais os Estados Unidos se envolvem, maior a insurgência.

E quanto maior a insurgência, maior o risco de guerra civil. Alguns podem até dizer que esta já está virtualmente ocorrendo, dado a magnitude do ataque contra o Exército iraquiano.

Os insurgentes parecem estar dispostos a passar para uma etapa mais aberta da guerra que o país vive. As forças iraquianas deveriam quebrar esse ciclo vicioso, mas são muito fracas para obterem sucesso. E são vítimas de ataques o tempo todo.

Portanto, no momento, é pouco realista a expectativa de que as forças iraquianas passem a exercer um papel maior. Mas todas as medidas que têm sido tomadas seguem o caminho oposto.

Britânicos

Não são forças iraquianas, mas sim britânicas que estão sendo convocadas para reforçar as posições americanas no Iraque central enquanto os soldados dos Estados Unidos se preparam para um ataque contra rebeldes em Falluja.

A política atual relembra o que aconteceu no Vietnã. Lá houve o que foi chamado de "vietnamização". Mas isso não funcionou. Os Estados Unidos se retiraram e o Vietnã do Sul foi subjugado.

A diferença no Iraque é que os Estados Unidos dizem que não vão se retirar até que o processo de "iraquização" esteja completo. A questão é quando ou se algum dia esse processo será concretizado.

Falluja

As próximas semanas serão mais críticas do que de costume. Uma série de eventos está se acumulando e eles determinarão se a estratégia americana e do governo interino iraquiano pode ser bem sucedida.

A ação em Falluja não pode mais ser adiada e será levada adiante a não ser que um acordo de paz seja alcançado. Muitos observadores acreditam que esse acordo virá logo após as eleições americanas.

Falluja está sendo vista como um restabelecimento, ou melhor, como o estabelecimento do governo central do país.

O argumento é que se Falluja pode ser pacificada, isso significa que eleições podem ser realizadas por lá. E há muitas coisas em jogo nestas eleições.

Previstas para ser realizadas no fim de janeiro, elas são um elemento-chave da estratégia americana. Mas vale frisar que o governo eleito será apenas um governo de transição.

Um governo plenamente constitucional só será eleito em dezembro do ano que vem, com base na nova constituição que será elaborada e votada antes da eleição no fim do ano.

Eleição nos EUA

Outro fator em jogo é a eleição presidencial americana. Mas o resultado da votação não terá efeitos imediatos no Iraque, já que o novo presidente só toma posse no próximo dia 20 de janeiro.

Mas caso John Kerry vença, ele deverá buscar alguma espécie de revisão da política americana.

Tudo isso está bem longe da esperança que os americanos tinham originalmente de que a essa altura o Iraque estaria se encaminhando para ser um país regido pela lei e por um governo constitucional.

Os otimistas dizem que isso ainda pode ser feito, ainda que mais tarde do que o previsto originalmente. Os pessimistas afirmam que o pior ainda está por vir.

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