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Atualizado às: 21 de setembro, 2004 - 16h12 GMT (13h12 Brasília)
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Análise: Kerry decide dedicar campanha à guerra do Iraque

Tanques americanos em Najaf
Kerry tenta apelar ao sentimento de antiguerra no Iraque
John Kerry finalmente decidiu que a única maneira que ele pode ganhar a eleição presidencial nos Estados Unidos é ir contra a guerra no Iraque.

O problema é que ele votou a favor da guerra, e suas soluções parecem ser aquelas que o presidente Bush já está tentando implementar.

Ele também rejeitou o conselho do ex-presidente americano Bill Clinton de que deveria trocar o principal tema de campanha para questões domésticas.

É uma tentativa desesperada porque George W. Bush conseguiu se projetar como um forte líder de guerra na Convenção Republicana, gostem dele ou não.

Soluções desesperadas

Mas tempos desesperados para John Kerry exigem soluções desesperadas, e ele, obviamente, sente que tem uma chance de basear sua sustentação no Iraque.

Até agora, sua mensagem foi tão confusa quanto seus votos foram no Senado, votando a favor da guerra, depois contra o dinheiro para pagá-la e financiar a reconstrução do Iraque.

Ele apresentou-se como um combatente veterano da altamente impopular Guerra do Vietnã, que ele mesmo foi contra.

Isso foi planejado para enfatizar suas credenciais como um líder firme.

Mas, novamente, a mensagem foi mista. Ele estava, efetivamente, tentando redimir a Guerra do Vietnã, e isso pareceu estranho quando ele estava, ao menos tempo, tentando apelar ao sentimento de antiguerra no Iraque entre os eleitores americanos.

Recordando o Vietnã

Agora, ele está ligando o Vietnã e o Iraque: "Eu vi de primeira mão o que aconteceu quando orgulho e arrogância tomaram a decisão racional", disse.

Teria sido melhor se ele tivesse se oposto à guerra no Iraque antes, em vez de tentar derrotar Bush em seu próprio jogo.

E ele se apresentou como um alvo fácil: o presidente Bush imediatamente rebateu, acusando Kerry de mais uma vez mudar sua posição.

John Kerry
Kerry propôs um plano de quatro partes para o Iraque

"Dezembro passado, ele (Kerry) disse isso: 'Aqueles que duvidaram se o Iraque ou o mundo seriam melhores sem Saddam Hussein e aqueles que acreditam que nós não estamos mais seguros com sua captura não têm a capacidade de julgamento para ser presidente ou a credibilidade para ser eleito presidente'."

"Eu não poderia ter dito melhor", adicionou Bush.

O plano de Kerry

Analisando a substância do que Kerry propôs, não há nada de novo nela.

Ele propôs um plano de quatro partes para o Iraque, convocando os aliados dos Estados Unidos para ajudar mais, treinando mais forças de segurança do Iraque, reconstruindo o Iraque e assegurando que as eleições ocorram no próximo ano.

Mas os aliados dos americanos não estão dispostos a ajudar muito, certamente não mandando mais tropas. É improvável que Kerry mude suas opiniões.

As forças de segurança do Iraque já estão sendo treinadas. Certamente, isso poderia ser aperfeiçoado, mas é um longo processo.

A reconstrução está planejada, mas falhou por falta de segurança. Não há varinha mágica.

Soldados americanos no Iraque
Violência no Iraque poderia causar problemas às eleições em janeiro

As eleições já estão sendo organizadas para janeiro. O plano é que o atual governo interino dê caminho a um governo transitório que irá, então, ter uma Constituição desenhada para eleições completas no final do ano que vem.

A melhor tática de Kerry talvez seja dizer que as tropas americanas poderiam estar em casa em quatro anos, a duração do mandato presidencial.

Mas isso é uma esperança, e não uma promessa.

Então, ele fica dizendo que não teria ido ao Iraque e acusando Bush de incompetência "e pior".

"O presidente enganou, julgou de forma errada e administrou de forma incompetente", disse.

Pode-se dizer agora que sua campanha começou, mas, certamente, não terminou.

Ela apenas começou.

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