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Eleição nos EUA e Iraque são inseparáveis | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em meio à revolta de parlamentares do próprio Partido Trabalhista, o primeiro-ministro britânico Tony Blair insiste que será operacional e não política a decisão de reposicionar soldados britânicos que estão no relativamente calmo sul do Iraque mais para o norte, onde insurgentes pressionam tropas americanas. Para Blair, faz ainda menos sentido denunciar uma decisão de reposicionamento militar como um reforço das chances eleitorais de George W. Bush nas eleições de 2 de novembro. Para o primeiro-ministro britânico, a prioridade no Iraque é a própria eleição iraquiana de janeiro, e não a americana. Mas não dá para separar. A insurreição no Iraque está operacionalmente relacionada à campanha eleitoral americana. Tudo o que envolve a dinâmica militar ou de violência afeta os sentimentos eleitorais e o fogo cerrado entre Bush seu oponente democrata, John Kerry. Após meses de vacilações e inconsistências, Kerry martela como pode o que qualifica de "erros colossais" do governo Bush no Iraque. Por esta visão, a necessidade dos comandantes militares de pedirem o reposicionamento de tropas britânicas é uma nova indicação de que as coisas não marcham bem no Iraque, ao contrário do que apregoa o otimista candidato eleitoral republicano George W. Bush. 'Sucesso catastrófico' O presidente é contra admitir erros e, num tom que beirou a ironia, ele disse que o único que reconhece no Iraque foi não antecipar o rápido triunfo na guerra do ano passado, que ele cunhou como um "sucesso catastrófico". Mas Kerry recebeu um reforço esta semana. O New York Times está publicando uma série de meticulosas reportagens sobre o "sucesso catastrófico" no Iraque. O tema do principal correspondente militar do jornal, Michael Gordon, é o de que a estratégia para assegurar o controle do país não visualizou uma segunda guerra, esta em curso e empreendida por insurgentes. No relato de Michael Gordon, assim que o comandante da guerra, general Tommy Franks, desembarcou em Bagdá em 16 de abril de 2003, pouco mais de uma semana depois da tomada da capital, ele disse a seu alto comando que já era o momento de planejar a partida. Por volta de setembro daquele ano, na estimativa de Franks, as tropas americanas seriam reduzidas de 140 mil soldados para pouco mais de uma divisão com 30 mil tropas. E, no entanto, não houve esta desmobilização. Houve uma pequena redução do contingente americano, mas não no ritmo planejado anteriormente. E tropas até foram levadas de volta ao Iraque. Mais de mil soldados americanos já morreram no Iraque, e esta semana foi superada a marca de 8 mil feridos. Em retrospecto, os problemas no pós-guerra foram minimizados, houve erros de cálculo e, por razões políticas e eleitorais, a opção de Bush sempre foi dourar a pílula. Na frase clássica, em maio do ano passado, ele anunciou ao mundo que a missão estava cumprida. As marteladas de Kerry e as imagens problemáticas do Iraque estão tendo um impacto no sentimento dos eleitores. O pedido operacional às tropas britânicas é mais um sintoma das dificuldades americanas e comprova que o charuto da vitória do general Franks em 16 de abril de 2003 foi prematuro. Mas também é prematuro, obviamente, antecipar um "fracasso catastrófico" para Bush em 2 de novembro. Basta ver um dos dados da pesquisa da quarta-feira do jornal Wall Street Journal e da rede de televisão NBC, que confirma o empate entre Bush e Kerry (cada um com 48% entre os prováveis eleitores). As constantes invocações do presidente de progresso no Iraque também estão tendo impacto e injetam otimismo. Por 47% a 40%, os americanos acreditam que o engajamento no Iraque irá terminar com vitória e não com derrota. |
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