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BC argentino deve desistir de metas de inflação | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O economista Martín Redrado assume a presidência do Banco Central da Argentina, nesta sexta-feira, com objetivos diferentes do seu antecessor, Alfonso Prat-Gay. Três analistas de diferentes tendências entrevistados pela BBC Brasil prevêem que Martín Redrado deverá deixar de lado a idéia de Prat-Gay de adotar metas inflacionárias, seguindo exemplo brasileiro, e também seu desejo de implementar a taxa Selic na Argentina. Esse temas começaram a ser analisados quando a moeda única ainda era uma meta importante e ambiciosa dentro do Mercosul. Segundo os economistas Débora Giorgi, ex-secretária de Indústria e atual integrante da União Industrial Argentina (UIA), Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres&Associados e Fausto Spotorno, da Delphos Investment, Redrado tem objetivos claros. Para eles, entre as prioridades estão reduzir as taxas de juros para a construção, os setores produtivos e para as exportações; estimular o crédito de longo prazo, praticamente inexistente no país depois da moratória; e manter a estabilidade cambial. Crescimento “Prat-Gay queria adotar aqui um sistema de metas inflacionárias, como o brasileiro, e até trazer a taxa Selic para a Argentina. Martín Redrado vai dar prioridade a uma taxa de câmbio estável, provavelmente entre 2,96 pesos e 3,10 pesos por dólar”, avalia Fausto. “Mas se houver, algum dia, uma maxidesvalorização do real a Argentina fará o mesmo com o peso. O importante será não perder a competitividade da economia”, diz ele. Na opinião de Orlando Ferreres e de Débora Giorgi, Redrado vai dar prioridade a manter o ritmo do crescimento da economia argentina, cuja previsão para este ano está em torno dos 7%. Para Ferreres, a Argentina hoje pode se dar ao luxo de reduzir as taxas de juros porque, diferente do Brasil, afirma ele, o país não está sofrendo uma pressão inflacionária e precisa dar um “impulso” para não permitir a queda do crescimento atual. “Se há pressão inflacionária no Brasil, não existe outro remédio que não seja subir a taxa de juros. Mas como isso não ocorre aqui, é diferente”, diz Ferreres. Débora Giorgi entende que a “flexibilização” do crédito poderá salvar muitos setores empresariais do país que se tornaram menos competitivos com a falta de acesso a financiamentos para seus empreendimentos. Produção e finanças Martín Redrado era secretário de Comércio e Relações Econômicas Internacionais até ser convidado, na semana passada, pelo presidente Néstor Kirchner para assumir a presidência do Banco Central. Redrado trabalhou nos governos dos ex-presidentes Carlos Menem e Eduardo Duhalde, mas ganhou a confiança de Kirchner e de seu ministro da Economia, Roberto Lavagna, com quem compartilha as idéias de dar maior atenção à “produtividade” do que ao mundo das finanças como preferia Prat-Gay, segundo observa Orlando Ferreres. Prat-Gay saiu porque discordava da forma como Kirchner e Lavagna vêm conduzindo as negociações para o pagamento da dívida em moratória e também com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Essas dicordâncias, segundo os analistas, não deverão ocorrer com Martín Redrado, que assume para um mandato de seis anos e disposto a compor o triunvirato mais poderoso do país. |
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