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Atualizado às: 29 de julho, 2004 - 20h59 GMT (17h59 Brasília)
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Relatório diz que FMI foi 'indulgente' com a Argentina
Protesto contra o FMI na Argentina
Documento critica o apoio do FMI ao plano de convertibilidade
O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi "indulgente" com a Argentina durante os anos 90, segundo um relatório sobre o papel da organização na crise da segunda maior economia da América do Sul.

O documento, elaborado por uma comissão de avaliação independente do FMI, faz duas críticas principais.

A primeira foi quanto ao fato de o FMI ter mantido o apoio ao regime de convertibilidade, que estabelecia a paridade entre o peso e o dólar, quando esse já não era mais sustentável e sem sugerir uma estratégia alternativa.

O segundo questionamento refere-se à falta de ação ante o descumprimento das metas fiscais por parte do governo argentino na década de 90, mesmo sabendo que, ao longo prazo, essa situação seria insustentável.

Empréstimo

As observações sobre o FMI apontam que, ao invés de punir o governo argentino, o país foi apresentado como um exemplo a ser seguido pelas demais economias emergentes.

A auditoria também critica o convite feito, em 1998, ao então presidente da Argentina, Carlos Menem, para discursar na reunião anual da instituição.

Além disso, há uma reprimenda à autorização de um empréstimo adicional ao país de US$ 8 bilhões, em agosto de 2001, quando muitos já advertiam quanto à implosão iminente da economia argentina.

Carlos Menem
Menem discursou na reunião anual do FMI em 1998

Entre 1989 e 1991, o FMI concedeu à Argentina uma linha de crédito para "melhorar a saúde" de sua economia. Cerca de 50 delegações de assessores do órgão se encarregaram de todos os detalhes.

No entanto, a economia do país contraiu 20% entre 1998 e 2002, com conseqüências devastadoras à população.

Culpa

Na hora de apontar quem foi o culpado, o relatório da auditoria menciona, em primeiro lugar, o próprio governo da Argentina da época.

Em entrevista à BBC, a economista Isabelle Mateos y Lago, co-autora do documento, justificou que foram as autoridades do país que "adotaram as políticas", enquanto que o FMI "se limitou a apoiá-las, mas não a forçá-las".

"Dizemos de maneira clara que o FMI cometeu erros, mas há uma diferença importante entre isso e ser responsável pela crise", destacou Isabelle.

As recomendações do documento sugerem que o FMI adote padrões mais rigorosos no futuro.

Mas isso não quer dizer que elas se apliquem de forma imediata – nem para a Argentina nem para o resto dos sócios do FMI.

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