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Relatório diz que FMI foi 'indulgente' com a Argentina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi "indulgente" com a Argentina durante os anos 90, segundo um relatório sobre o papel da organização na crise da segunda maior economia da América do Sul. O documento, elaborado por uma comissão de avaliação independente do FMI, faz duas críticas principais. A primeira foi quanto ao fato de o FMI ter mantido o apoio ao regime de convertibilidade, que estabelecia a paridade entre o peso e o dólar, quando esse já não era mais sustentável e sem sugerir uma estratégia alternativa. O segundo questionamento refere-se à falta de ação ante o descumprimento das metas fiscais por parte do governo argentino na década de 90, mesmo sabendo que, ao longo prazo, essa situação seria insustentável. Empréstimo As observações sobre o FMI apontam que, ao invés de punir o governo argentino, o país foi apresentado como um exemplo a ser seguido pelas demais economias emergentes. A auditoria também critica o convite feito, em 1998, ao então presidente da Argentina, Carlos Menem, para discursar na reunião anual da instituição. Além disso, há uma reprimenda à autorização de um empréstimo adicional ao país de US$ 8 bilhões, em agosto de 2001, quando muitos já advertiam quanto à implosão iminente da economia argentina.
Entre 1989 e 1991, o FMI concedeu à Argentina uma linha de crédito para "melhorar a saúde" de sua economia. Cerca de 50 delegações de assessores do órgão se encarregaram de todos os detalhes. No entanto, a economia do país contraiu 20% entre 1998 e 2002, com conseqüências devastadoras à população. Culpa Na hora de apontar quem foi o culpado, o relatório da auditoria menciona, em primeiro lugar, o próprio governo da Argentina da época. Em entrevista à BBC, a economista Isabelle Mateos y Lago, co-autora do documento, justificou que foram as autoridades do país que "adotaram as políticas", enquanto que o FMI "se limitou a apoiá-las, mas não a forçá-las". "Dizemos de maneira clara que o FMI cometeu erros, mas há uma diferença importante entre isso e ser responsável pela crise", destacou Isabelle. As recomendações do documento sugerem que o FMI adote padrões mais rigorosos no futuro. Mas isso não quer dizer que elas se apliquem de forma imediata – nem para a Argentina nem para o resto dos sócios do FMI. |
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