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Caio Blinder: Campanha de Kerry recebe 'transfusão de sangue' de Clinton | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Bill Clinton está no hospital recuperando-se da cirurgia cardíaca, e a campanha do candidato que sonha em ser o primeiro democrata desde o ex-presidente a ocupar a Casa Branca está recebendo uma transfusão de sangue do tipo clintoniano. A metáfora médica não poderia ser mais apropriada. Nem a saúde de Clinton nem a campanha de John Kerry se encontram em estado grave, mas ambas inspiram cuidados e cirurgias. A campanha do republicano George W. Bush foi na jugular dos democratas e saiu revigorada da convenção em Nova York. E, numa prova de como está antenado e como ele é importante na condição de "consigliere", Clinton, da cama do hospital em Nova York, conversou com Kerry por telefone durante 90 minutos no sábado à noite. Assessores Além de conselhos de como injetar ânimo na campanha, Clinton também está dando gente do seu estado-maior, tanto dos tempos em que concorria à Presidência, como dos tempos em que exercia o poder. Do político que se esquivou de lutar no Vietnã, o ex-tenente Kerry ouviu o conselho para falar menos daquela guerra e alvejar mais Bush nos contrastes que existem nas campanhas dos dois partidos em questões como emprego e saúde, mais próximas do cotidiano do eleitor. Com sua ênfase em segurança nacional, Kerry de fato foi brigar no terreno do inimigo. A idéia era para Clinton desempenhar um papel proeminente na guerra eleitoral. Será mais difícil agora que foi submetido à cirurgia cardíaca. Como consolo, o ex-presidente estará representado por sua tropa de choque. Foram recrutados ex-oficiais do seu quartel-general, como James Carville, Paul Begala e Stanley Greenberg. Eles nunca foram para a reserva do jogo político, mas agora estarão na linha de frente da campanha, hoje comandada por gente que entrou em combate num momento em que a corrida de Kerry nas primárias democratas se encontrava em uma situação melancólica. Cães de ataque Quem acompanha a campanha eleitoral pela televisão em canais como CNN sabe que Carville e Begala são cães de ataque. Eles são recrutados em um momento em que caciques democratas expressavam inquietação com o que consideravam lentidão de Kerry para reagir à implacável ofensiva republicana questionando seu passado militar ou para travar combate contra Bush em questões de política doméstica e não segurança nacional. Estes ex-assessores de Clinton inspiraram um clássico documentário político, War Room. Na campanha presidencial de 1992, o pessoal do acossado governador do Arkansas reagia prontamente aos ataques. E que ataques. A campanha do primeiro presidente Bush (então em busca da reeleição) sabia ir na jugular. Alguns ex-lugares-tenentes de Clinton inclusive já estão colocando a mão na massa no dia-a-dia de campanha e estão trabalhando no quartel-general de Kerry em Washington ao lado dos veteranos. A versão oficial, obviamente, nega que existam conflitos ou rivalidades. Para Paul Begala, o fundamental é alterar as regras do jogo. A campanha de Bush conseguiu transformar o debate eleitoral em um referendo sobre Kerry e não sobre o atual ocupante da Casa Branca. O desafio, conforme Begala, é mostrar ao eleitor que as posições de Bush estão erradas e não se Kerry merecia ou não as medalhas do Vietnã. Nada mais simbólico que a campanha de Kerry tenha recrutado gente como James Carville, um buldogue em combates eleitorais. Em 1992, Carville cunhou a lendária frase "é a economia, estúpido!". Era a palavra-de-ordem para os ativistas de campanha do então candidato Clinton centrarem fogo no balanço econômico do outro presidente Bush. Agora há um outro Bush, mas pelo visto o slogan democrata voltou a ser o mesmo. |
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