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Moderação é palavra-chave na 'coroação' de Bush em NY | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
George W. Bush deve usar a convenção republicana esta semana em Nova York para projetar uma imagem futurista e exibir uma agenda para um segundo mandato. Mas ele escolheu a cidade para sediar sua coroação pelo peso do passado. As torres do World Trade Center ficavam a cinco quilômetros do Madison Square Garden, palco da convenção. E a destruição em 11 de setembro de 2001 foi a força motriz de um presidente que, no seu primeiro discurso de aceitação de candidatura, há quatro anos, em Filadélfia, revelou propostas modestas e avessas a grandes compromissos em política externa. Centenas de milhares de manifestantes marcharam no domingo pelas ruas de Manhattan para, entre outras coisas, contestar o controle do passado para Bush e assim tentar negar o seu futuro. Mas, assim como a convenção democrata em Boston, no final de julho, não é possível atribuir um caráter definitivo ao espetáculo republicano (ou à tentativa de manchá-lo) esta semana em Nova York. É verdade que Bush chegará à convenção para fazer o seu discurso na quinta-feira um pouco mais fortalecido após a implacável campanha movida por associados do Partido Republicano questionando o passado heróico no Vietnã do oponente democrata, John Kerry. Bush agora se afasta dessa campanha com evidências discutíveis, mas ela já serviu para gerar algumas dúvidas sobre Kerry justamente na questão de credibilidade pessoal que ele tanto martelou na sua coroação em Boston. Nada definitivo Mas esse avanço de Bush, vale repetir, não é definitivo. O presidente vai precisar suar muito na maratona eleitoral para garantir um emprego no futuro, embora tenha trunfos. Na definição precisa do jornal The Washington Post, Bush começa sua convenção em uma posição mais fraca do que a de presidentes recentes que conseguiram a reeleição, mas em situação mais forte do que a dos últimos dois últimos ocupantes da Casa Branca que fracassaram no empenho – inclusive seu pai, há 12 anos. Bush é visto pelos americanos como um líder com capacidade de liderança, mas há ansiedade e decepção em relação ao Iraque e à economia, os temas-chaves desta campanha eleitoral. Essas dúvidas obviamente não são compartilhadas pelos convencionais republicanos em Nova York. Na convenção democrata, eram delegados à esquerda dos sentimentos da opinião pública. Agora, são os militantes à direita do estado de espírito nacional. Basta ver a pesquisa com os delegados republicanos feita pelo jornal The New York Times e pela rede de televisão CBS. Para 96% deles, foi correto invadir o Iraque, em comparação à opinião de 78% dos eleitores que se dizem republicanos e de 46% dos votantes em geral. Moderação Mas o foco da convenção não é essa base ardorosa dos mais conservadores entre os conservadores. Assim como com os democratas em Boston, a palavra de ordem dos republicanos em Nova York é moderação. Papéis de relevo foram atribuídos a republicanos que enfurecem os radicais de direita. Foram convocados para discursar o senador John McCain (que hoje é o político mais popular do país), o ex-prefeito de Nova York Rudolf Giuliani e o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. Bush não precisa se preocupar com sua base e nem vai perder tempo no esforço de dissuadir seus opositores convictos que ele fez as coisas certas no Iraque e na economia. Seu futuro depende de um punhado de moderados e independentes que não batem o ponto em convenção ou marcham pelas ruas de Manhattan. |
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