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Análise: Acordo abala credibilidade do governo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Há aqueles que queriam neutralizar o clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr para sempre. Em vez disso, como parte do acordo para pôr fim à violência em Najaf, no Iraque, o clérigo rebelde não será preso. Os homens dele simplesmente se misturariam à multidão. Alguns deles poderiam até conseguir manter as armas. Isso provavelmente provocará um arrepio na espinha de alguns comandantes das forças estrangeiras. Certamente não será bem recebido por todos os integrantes do governo interino iraquiano. Isso porque o país já passou por essa situação antes. Moqtada enfraquecido? Em junho, depois de uma rebelião parecida, porém menor, em Najaf, Al-Sadr foi convencido a baixar as armas. Também pelo aiatolá Ali Sistani. Mas o acordo não durou. Três semanas atrás, as forças de Moqtada al-Sadr ocuparam o santuário central em Najaf, precipitando uma das piores crises no Iraque desde a queda de Saddam Hussein. Então, há aqueles que ainda temem a volta de Al-Sadr. Mas também há uma outra forma de ver os fatos. Moqtada al-Sadr foi colocado firmemente em seu lugar. Ele fracassou em seu objetivo oficial de expulsar as forças americanas de Najaf e do Iraque. A mais alta autoridade religiosa do país impôs seu "conselho" ao clérigo rebelde. Marginalizado Acredita-se que o aiatolá Ali Sistani responsabilize Al-Sadr por ter detonado a crise em Najaf. Acredita-se também que ele tenha dito isso ao clérigo radical. Alguns alegam que, se Al-Sadr fosse preso, o único a se beneficiar seria ele próprio. Em teoria, a prisão aumentaria a simpatia a ele no país. Do jeito que as coisas estão no momento, Al-Sadr fica como um clérigo enfraquecido e marginalizado que só conseguiu levar a morte à cidade sagrada. Apesar disso, o governo vem dizendo que aceita a entrada de Al-Sadr no processo político. O primeiro-ministro já declarou que todos os grupos da sociedade iraquiana devem ser parte desse processo. Iyad Allawi espera que, se Al-Sadr for convencido a integrar o processo democrático, a luta dele pelos jovens, pobres e alijados da sociedade será conduzida pelo debate político, e não a tiros. Força de Sistani A credibilidade do governo, no entanto, também foi abalada nas últimas semanas. Ele fracassou em mostrar liderança nas negociações para pôr fim à crise em Najaf. O único homem capaz de negociar a paz foi o grande aiatolá Ali Sistani. Ele sempre disse que é relutante em relação a se envolver em política. Sua voz, no entanto, foi mais alta e mais forte do que a do primeiro-ministro. Num país onde a força é respeitada, as pessoas agora sabem quem é o verdadeiro líder. |
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