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Análise: A luta pelo poder entre xiitas no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A intervenção do mais importante líder xiita, o aiatolá Ali Sistani, na crise em Najaf, aumentou as esperanças de que o impasse de três semanas na cidade possa finalmente ter fim. A proposta de paz apresentada por ele parece estar dando frutos, recebendo apoio tanto dos rebeldes como do governo interino. Mas a violência continuava nas horas antes da negociação e há ainda incerteza sobre as intenções do líder radical Moqtada Al-Sadr, cujas ambições representam um desafio para o aiatolá - assim como para o novo governo em Bagdá. As linhas gerais de um possível acordo têm estado claras já por algum tempo: * Os dois lados devem parar de lutar e sair da parte histórica de Najaf * A responsabilidade pelo santuário do imã Ali deve voltar a Ali Sistani e aos outros três aiatolás que formam a liderança religiosa da cidade * A responsabilidade pelas segurança na cidade deve ficar nas mãos da polícia iraquiana Esses pontos parecem estar no acordo de paz e dois novos fatores podem fazer com que as chances de sucesso aumentem. Primeiro, o plano agora tem a autoridade pessoal do aiatolá Sistani, sem dúvida a figura mais respeitada entre os xiitas iraquianos. E, segundo, o momento da intervenção do aiatolá é particularmente oportuno. Há sinais de que os militantes leais a Al-Sadr tenham sido bem afetados pela pressão dos americanos e das forças iraquianas. A população de Najaf está exausta, e vários dos envolvidos podem estar agora dispostos a uma solução que possa lhes garantir ainda alguma coisa. O cessar-fogo de 24 horas anunciado pelas autoridades iraquianas à medida em que o aiatolá Sistani chegou à cidade abriu uma janela de oportunidade. O aiatolá e o rebelde O aiatolá idoso e o jovem clérigo rebelde sempre se olharam com suspeita. Os aliados de Al-Sadr nunca gostaram da cautela do aiatolá em assuntos políticos. E eles muitas vezes se lembram de sua origem iraniana e apresentam Al-Sadr como um filho do Iraque. Por seu lado, os aliados de Sistani não escondem o fato de acreditarem que Al-Sadr é um iniciante tentando capitalizar em cima do nome de seu pai - um aiatolá respeitado que foi assassinado quando Saddam Hussein estava no poder. Não há nenhuma dúvida a respeito de quem seja o mais veterano em termos religiosos. O aiatolá Sistani tem uma autoridade única e a lealdade da maioria dos xiitas. Mas, igualmente, as duas rebeliões conduzidas por Al-Sadr neste ano - em abril e em agosto - aumentaram o apoio que ele recebe e mostraram a elasticidade de seu Exército Mehdi. O exército tem um certo grau de apoio entre os cidadãos comuns, não apenas no sul do Iraque, como também na Cidade Sadr, o distrito de Bagdá que leva o nome do pai de Al-Sadr. O grupo também é mais do que apenas uma milícia. Nas áreas em que consegue exercer alguma autoridade, os integrantes do Exército Mehdi instalam conselhos locais e tribunais religiosas. Em um nível local, certamente há iraquianos xiitas que não gostam dos rebeldes leais a Al-Sadr, quem acusam de ter táticas violentas. E há alguns que estão apreensivos com a atitude de confronto tomada por Al-Sadr em relação à presença americana no Iraque. Mas entre uma minoria xiita no país, principalmente entre os mais jovens, os desempregados e os desafeiçoados, ele é um herói que tem uma lealdade constante. Muitos analistas acreditam que, o que quer que aconteça em Najaf, o fenômeno Al-Sadr veio para ficar. |
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