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Atualizado às: 27 de agosto, 2004 - 01h33 GMT (22h33 Brasília)
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Análise: A luta pelo poder entre xiitas no Iraque

Seguidores levam cartazes com foto do aiatolá Ali Sistani
Sistani tem a lealdade da maioria dos xiitas no Iraque
A intervenção do mais importante líder xiita, o aiatolá Ali Sistani, na crise em Najaf, aumentou as esperanças de que o impasse de três semanas na cidade possa finalmente ter fim.

A proposta de paz apresentada por ele parece estar dando frutos, recebendo apoio tanto dos rebeldes como do governo interino.

Mas a violência continuava nas horas antes da negociação e há ainda incerteza sobre as intenções do líder radical Moqtada Al-Sadr, cujas ambições representam um desafio para o aiatolá - assim como para o novo governo em Bagdá.

As linhas gerais de um possível acordo têm estado claras já por algum tempo:

* Os dois lados devem parar de lutar e sair da parte histórica de Najaf

* A responsabilidade pelo santuário do imã Ali deve voltar a Ali Sistani e aos outros três aiatolás que formam a liderança religiosa da cidade

* A responsabilidade pelas segurança na cidade deve ficar nas mãos da polícia iraquiana

Esses pontos parecem estar no acordo de paz e dois novos fatores podem fazer com que as chances de sucesso aumentem.

Primeiro, o plano agora tem a autoridade pessoal do aiatolá Sistani, sem dúvida a figura mais respeitada entre os xiitas iraquianos.

E, segundo, o momento da intervenção do aiatolá é particularmente oportuno.

Há sinais de que os militantes leais a Al-Sadr tenham sido bem afetados pela pressão dos americanos e das forças iraquianas.

A população de Najaf está exausta, e vários dos envolvidos podem estar agora dispostos a uma solução que possa lhes garantir ainda alguma coisa.

O cessar-fogo de 24 horas anunciado pelas autoridades iraquianas à medida em que o aiatolá Sistani chegou à cidade abriu uma janela de oportunidade.

O aiatolá e o rebelde

O aiatolá idoso e o jovem clérigo rebelde sempre se olharam com suspeita.

Os aliados de Al-Sadr nunca gostaram da cautela do aiatolá em assuntos políticos.

E eles muitas vezes se lembram de sua origem iraniana e apresentam Al-Sadr como um filho do Iraque.

Por seu lado, os aliados de Sistani não escondem o fato de acreditarem que Al-Sadr é um iniciante tentando capitalizar em cima do nome de seu pai - um aiatolá respeitado que foi assassinado quando Saddam Hussein estava no poder.

Não há nenhuma dúvida a respeito de quem seja o mais veterano em termos religiosos.

O aiatolá Sistani tem uma autoridade única e a lealdade da maioria dos xiitas.

Mas, igualmente, as duas rebeliões conduzidas por Al-Sadr neste ano - em abril e em agosto - aumentaram o apoio que ele recebe e mostraram a elasticidade de seu Exército Mehdi.

O exército tem um certo grau de apoio entre os cidadãos comuns, não apenas no sul do Iraque, como também na Cidade Sadr, o distrito de Bagdá que leva o nome do pai de Al-Sadr.

O grupo também é mais do que apenas uma milícia. Nas áreas em que consegue exercer alguma autoridade, os integrantes do Exército Mehdi instalam conselhos locais e tribunais religiosas.

Em um nível local, certamente há iraquianos xiitas que não gostam dos rebeldes leais a Al-Sadr, quem acusam de ter táticas violentas.

E há alguns que estão apreensivos com a atitude de confronto tomada por Al-Sadr em relação à presença americana no Iraque.

Mas entre uma minoria xiita no país, principalmente entre os mais jovens, os desempregados e os desafeiçoados, ele é um herói que tem uma lealdade constante.

Muitos analistas acreditam que, o que quer que aconteça em Najaf, o fenômeno Al-Sadr veio para ficar.

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