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Atualizado às: 15 de agosto, 2004 - 08h24 GMT (05h24 Brasília)
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Divisão política e economia dominam disputa na Venezuela

Hugo Chávez
Apoio e rejeição a Chávez divide o país
A profunda divisão política do país, o desemprego e a violência estão entre as maiores preocupações dos venezuelanos e formam o pano de fundo em que ocorre o plebiscito que pode tirar o mandato do presidente venezuelano, Hugo Chávez, neste domingo.

A disputa entre oposição e governo tem sido apontada como uma das razões para a crise econômica que a Venezuela viveu entre 2002 e 2003 e da qual o país está saindo lentamente agora, graças, em parte, à alta internacional recorde do petróleo.

O desemprego e a violência também estão no topo da lista de preocupações.

“Todas as pesquisas recentes mostram que esses são os temas que mais afligem o país”, afirma a cientista política Elza Cardoso.

Em 2002 a Venezuela entrou em uma crise econômica profunda.

Campanha pela permanência de Chávez
Campanha pela permanência de Chávez

O PIB (Produto Interno Bruto) caiu 8,9%, especialmente por causa dos problemas do setor petrolífero – que teve greves e perda de produção – e da instabilidade política que se refletiu na economia.

Em 2003, a crise continuou forte, e o PIB teve uma queda adicional de 9,4%.

Esses números fizeram o desemprego explodir. A taxa de 15% no início de 2002 bateu no pico de 19,3% em 2003.

Hoje, em meio à recuperação econômica, o desemprego voltou ao patamar de 15%.

Desigualdade

Além do desemprego, há preocupação também com a desigualdade.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística do país, o INE, a taxa de pobres passa de 55% de uma população de 25 milhões, sendo que 16% são classificados como extremamente pobres.

“Creio que hoje os venezuelanos estão até mais preocupados com a justiça social do que com o crescimento”, afirma Margarida Lopez Maia, historiadora e pesquisadora da Universidade Central.

Segundo ela, essa preocupação seria uma das explicações para o fato de que Chávez tem chances de ganhar o plebiscito, a despeito dos altos índices de desemprego e da crise econômica recente.

Campanha pela saída de Chávez
Campanha pela saída de Chávez

Um dos trunfos de Chávez nesse campo seriam as “missões”, projetos sociais voltados para as camadas mais pobres.

Os principais projetos são o de alfabetização, que segundo dados do governo já atingiu mais de 800 mil pessoas, e o do médico de bairro, que foi implementado com a participação de 2 mil médicos cubanos.

No caso da violência, o problema é debatido em duas esferas: a violência comum e a política.

“O problema da violência comum, e especialmente da impunidade, não é nova nem exclusiva deste governo”, diz Liliana Ortega, diretora da Cofavic, uma ONG que se diz independente, mas que teria simpatia pela oposição.

Para Ortega, o que está vinculado ao atual governo é um aumento da violência política.

“Temos registros de pelo menos 14 casos de tortura policial que estão ligados a motivos políticos”, afirma ela, além de contabilizar pelo menos 20 prisões de fundo político.

A Coordenação Democrática, coligação de oposição ao governo, fala em 60 presos políticos.

Chávez minimiza essa questão, afirmando, por exemplo, que os presos chamados de políticos cometeram crimes previstos em lei.

De qualquer forma, o tema, ao lado da economia e da polarização, estão entre os que mais devem pesar na decisão do eleitor venezuelano quando ele tiver decidir se Chávez completa o mandato para o qual foi eleito ou se deixa o poder antecipadamente.

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