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Atualizado às: 14 de agosto, 2004 - 03h02 GMT (00h02 Brasília)
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Mesmo com apoio de observadores, oposição desconfia de referendo

Manifestantes da oposição venezuelana
Oposição reuniu milhares de pessoas para pedir a saída de Chávez
Apesar do apoio dos observadores internacionais ao referendo venezuelano deste domingo, o principal líder da oposição do país, Enrique Mendoza, afirmou nesta sexta-feira que ainda falta “transparência” no processo.

“Há pontos que não estão transparentes (...) Os observadores estão tendo o seu trabalho limitado”, afirmou Mendoza.

Ele apontou como problemas o fato de que serão checadas, por amostragem, “apenas” 1% das mais de 19 mil urnas eletrônicas eleitorais e supostas limitações que os observadores estão tendo.

Apesar das críticas, Mendoza diz que a presença dos observadores é fundamental para dar credibilidade ao referendo.

Monitoramento

As duas principais entidades externas que estão monitorando a votação, no entanto, negam qualquer problema.

A Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja missão é dirigida pelo embaixador brasileiro Valter Pecly Moreira, diz que o número de observadores da OEA é “suficiente para que (a entidade) possa realizar seu trabalho”. O embaixador afirmou ainda que caso houvesse problemas a organização não estaria trabalhando com as autoridades do país.

O Centro Carter, outro que está monitorando o processo, também está apoiando publicamente os procedimentos.

Em uma entrevista coletiva dada na quinta-feira, a representante do centro, Jennifer McCoy, disse que acompanhou todo o processo e que até o momento existem garantias suficientes de que a votação eletrônica será confiável.

Além da OEA e do Centro Carter, a Organização das Nações Unidas (ONU) e uma grande gama de organizações e partidos vão participar do processo de observação.

A presença desse grande volume de estrangeiros tem sido em geral elogiada, mas em alguns casos ela também tem gerado polêmica.

O ex-diretor do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) Leonardo Pizani disse ao repórter da BBC Carlos Chirinos que muitos dos observadores convocados não são especialistas em eleições. “A maioria são artistas e personalidades”, afirmou ele.

Outro problema é que os dois lados da disputa têm dito que muitos estrangeiros estão vindo para a Venezuela já tendo declarado apoio a um dos campos da disputa.

Os deputados brasileiros Ivan Valente e Maninha, ambos do PT, foram convidados para o plebiscito. O PT apóia oficialmente Chávez no referendo e nesta semana enviou uma carta declarando esse apoio – o governo Lula também já se manifestou oficialmente dizendo que se mantém neutro na disputa.

Resultado

Nesta sexta-feira, outra polêmica que envolveu os venezuelanos se deu em torno da divulgação dos resultados eleitorais.

O CNE prometeu divulgar o resultado ainda no dia 15, embora já tenha dito que isso pode não ocorrer.

A oposição – que afirma ter como monitorar a votação e saber o resultado de forma independente – ameaça divulgar seus levantamentos caso o conselho eleitoral demore para dar as informações.

Para evitar que isso ocorra, a OEA, o Centro Carter, o CNE e rádios e televisões fizeram um acordo de não divulgar nenhum dado antes das primeiras planilhas oficiais.

A votação de domingo vai definir se o presidente Hugo Chávez permanece ou não no cargo até o fim de seu mandato, no início de 2007.

Estão aptas a votar 14 milhões de pessoas e são precisos mais de 3,8 milhões de votos para tirar Chávez do poder.

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