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Atualizado às: 13 de agosto, 2004 - 08h55 GMT (05h55 Brasília)
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Relação comercial sobrevive a rixas entre EUA e Venezuela

Plataformas de petróleo na Venezuela
Petróleo venezuela responde por 15% do consumo dos EUA
Inimigos, inimigos, petróleo à parte. Desde que Hugo Chávez chegou ao poder na Venezuela, em 1999, as relações do país com os Estados Unidos são, no mínimo, complicadas.

Analistas não vêem motivos para isso mudar se Chávez for confirmado presidente até 2006 no referendo que será realizado no próximo domingo.

Mas eles também não acreditam que a inimizade teria impacto no comércio entre os dois países – uma relação baseada no petróleo.

"A Venezuela precisa do mercado dos Estados Unidos, para onde exporta 75% de seu principal produto", diz o diretor do programa para a América do Sul do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, de Washington, Miguel Diaz.

"Com o mercado apertado pela crise no Oriente Médio, nós também não podemos passar sem o petróleo venezuelano, que supre cerca de 15% das necessidades americanas."

Garantias

O embaixador da Venezuela em Washington, Bernardo Alvarez, também afirma que relação política é uma coisa, e comercial, outra.

"Garantimos ao mercado internacional que o petróleo venezuelano não vai ser usado de maneira política", afirma o embaixador.

"A oposição já que fez isso no passado (com uma greve contra Chávez que paralisou a estatal venezuelana de petróleo)."

Alvarez diz que está muito "otimista" com as possibilidades de vitória de Chávez.

"Vi pesquisas, que não podemos divulgar devido à lei eleitoral, mostrando que a maioria dos eleitores é a favor da permanência de Chávez e que o apoio está aumentando."

Mudança

Miguel Diaz diz que conhece estas pesquisas, mas que não acredita que os números sejam confiáveis. O cientista político – que considera Chávez um "anacronismo" – diz que teve impressão diferente em suas visitas à Venezuela.

"O povo venezuelano está cansado e quer mudança. Mas existe o risco de alguns eleitores votarem em Chávez só para evitar a violência que pode acontecer se o presidente perder o referendo."

Diaz diz que é essencial que o referendo seja transparente – perspectiva sobre a qual ele ainda tem dúvidas – para que seja claro e incontestável quem saiu vitorioso.

"Dos dois lados há gente que pode recorrer à violência se houver dúvida a respeito dos resultados. Existe o risco de o referendo agravar, mais do que resolver, a crise na Venezuela", diz.

Estados Unidos

O governo americano também está insistindo na importância de um referendo transparente e amplamente fiscalizado pela comunidade internacional.

Em um comunicado, o secretário de Estado americano, Collin Powell, disse que isso seria um "importante passo" na solução da crise Venezuelana.

Os Estados Unidos estão evitando fazer quaisquer comentários sobre os possíveis resultados da consulta ou sobre o futuro das relações entre os dois países, mas deixam claro que as discordâncias do passado continuam de pé.

"Nós deixamos claro que acreditamos que é função do governo venezuelano tomar medidas para que o referendo se realize num clima favorável. No passado, já denunciamos casos de violência e intimidação (praticados pelo governo)", disse um porta-voz do Departamento de Estado.

Para Miguel Diaz, o governo americano está certo em adotar uma postura bem discreta agora para "evitar que Chávez possa colocar a culpa nos Estados Unidos se perder o referendo".

Democrata e Republicanos

Se Chávez ganhar, Diaz não vê chances de as relações melhorarem com os Estados Unidos, mesmo que haja uma troca de comando na Casa Branca nas eleições americanas, em novembro.

"Aqui em Washington, tanto democratas quanto republicanos já perceberam que é impossível confiar em Chávez e trabalhar pelo benefício dos dois países", diz.

O embaixador Bernardo Alvarez também diz que a relação é "difícil", mas coloca a culpa nos americanos.

"A Venezuela nunca tomou nenhuma ação contra os Estados Unidos. Nós só reagimos a uma tentativa de interferência que é inaceitável."

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