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Atualizado às: 15 de agosto, 2004 - 06h55 GMT (03h55 Brasília)
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Venezuelanos vão às urnas decidir destino de Chávez

Urna eletrônica
Venezuela terá voto eletrônico no plebiscito
Milhões de venezuelanos devem votar neste domingo para definir se o presidente Hugo Chávez terminará seu mandato, que vai até o início de 2007.

O referendo encerra uma disputa que dura desde abril de 2002, quando, após um golpe que tirou Chávez do poder por dois dias, a oposição começou a pedir que o mandato do presidente fosse colocado à prova em um plebiscito.

A constituição venezuelana, alterada pelo próprio Chávez, permite o plebiscito para todos os cargos eleitos a partir da metade do mandato.

Cerca de 14 milhões de eleitores podem votar neste domingo. Para vencer a disputa e tirar Chávez da Presidência, a oposição precisa ter mais de 3,8 milhões de votos (o número obtido por Chávez nas eleições de 2000)

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) espera o resultado para duas ou três horas após o fechamento das urnas, mas é possível que a divulgação seja adiada. 19 mil urnas eletrônicas estão espalhadas por todo o país, cobrindo 90% dos eleitores. Os 10% restantes vão votar em cédulas de papel.

Escolha

Para os partidários dos dois lados e especialistas, o plebiscito representa a escolha entre dois modelos políticos muito diferentes e uma oportunidade para diminuir a divisão em que o país está mergulhado.

“Os venezuelanos vão escolher (neste domingo) que modelo querem”, afirmou Rodolfo Sanz, chefe do comando da campanha pró-Chávez.

“Acreditamos que o Estado tem um papel importante na construção do país e que precisamos acabar com a desigualdade que existe aqui.”

O governo Chávez é contra a privatização das empresas públicas e tem lutado para manter o controle da PDVSA, a petrolífera venezuelana.

A empresa é uma das peças centrais da economia da Venezuela, que é o
quinto maior exportador de petróleo do mundo.

A produção e a venda do produto é responsável por cerca de 25% do PIB do país, 80% das exportações e mais de 30% da receita fiscal.

A oposição, por sua vez, culpa o presidente pelos principais problemas econômicos e afirma que ela é a única opção para acabar com a polarização política na qual vivem os venezuelanos.

“A Venezuela vai às urnas neste domingo em busca da unificação”, disse Jesus Torrealba, um dos principais porta-vozes da Coordenação Democrática, movimento que reúne os partidos e grupos de oposição.

Torrealba credita a divisão à política do atual governo.

“Todo esse processo começou quando Chávez tomou uma série de medidas econômicas em 2001 sem consultar os atores sociais e econômicos”, afirmou ele.

Para ele, o atual presidente venezuelano insuflou a divisão política “como parte de seu projeto para manter o poder”.

Na opinião de Margarida Lopez Maia, historiadora e pesquisadora da Universidade Central, a principal vantagem do referendo é que ele vai deixar mais claro qual é o apoio efetivo que cada lado da disputa tem.

“Será um resultado nítido e isso talvez nos permita avançar”, espera ela.

Processo longo

Segundo alguns analistas políticos, o início da atual crise se deu após a apresentação pelo governo de um conjunto de medidas econômicas em 2001, que não foi aceito por boa parte da oposição.

Começou então um movimento que em abril de 2002 acabou provocando a queda de Chávez.

O ponto alto da tensão ocorreu em uma manifestação de opositores na qual atiradores dispararam contra uma multidão em pleno centro de Caracas.

Embora os atiradores não estivessem usando nenhum tipo de uniforme ou roupa que os identificassem, eles acabaram sendo ligados ao governo.

As cenas foram mostradas na televisão do país e Chávez perdeu apoio dos militares. Em um episódio ainda controverso, ele deixou a Presidência, que foi assumida por um oposicionista, o empresário Pedro Carmona.

Após uma série de medidas de exceção, como o fechamento do Congresso, os oposicionistas acabaram perdendo apoio e partidários de Chávez conseguiram levá-lo novamente ao poder apenas 48 horas depois de ter caído.

Desde então, oposição e governo se encontram em um disputa que polarizou o país, levou a uma greve que parou a produção de petróleo por três meses entre o final de 2002 e o início de 2003 e aprofundou a crise econômica.

Os primeiros pedidos para que um plebiscito – cuja possibilidade está prevista na Constituição criada por Chávez em 1999 - começaram a ocorrer uma semana após a queda de 2002.

Mas o processo foi demorado, e incluiu a recusa e a necessidade de confirmação de centenas de milhares de assinaturas no abaixo-assinado pedindo o plebiscito. Depois de oito meses de demora, a decisão deve finalmente ser tomada neste domingo.

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