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Viagem de Lula à África tem mais pompa e menos acordos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A segunda viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à África subsaariana teve objetivos e resultados práticos mais modestos do que a primeira viagem ao subcontinente, em novembro do ano passado. No ano passado, Lula iniciou por São Tomé e Príncipe uma viagem que o levou a Angola, Moçambique (também ex-colônias portuguesas), Namíbia (um mercado novo e possível porta de entrada para outros países africanos) e África do Sul (importante parceiro estratégico do Brasil na relação sul-sul, entre os países em desenvolvimento). Da comitiva faziam parte dez ministros, vários deputados e muitos convidados. Em sua primeira viagem ao continente, o novo presidente tentava impressionar e mostrar que a África estava mesmo voltando para a lista de prioridades da política externa brasileira. Oito meses depois, a situação é bem diferente. De acordo com o Itamaraty, dos 31 acordos assinados naquela viagem, dois terços ainda não foram colocados em prática. O presidente não planejou uma outra visita de chefe de Estado, mas aproveitou a presença na cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em São Tomé e Príncipe, para ficar um pouco mais no país que visitou no ano passado por apenas algumas horas. Desta vez, apenas quatro ministros foram a São Tomé, para a reunião da CPLP e, com a ida do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para Genebra na segunda-feira à noite, apenas três seguiram o presidente nos outros dois países: o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, da Educação, Tarso Genro, e a secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Em São Tomé, além da doação de um telecentro, com internet gratuita, que foi usado durante a conferência e ficará no país para uso da população, o presidente apenas anunciou a liberação, poucos dias antes de deixar Brasília, dos recursos para os projetos que havia firmado na viagem anterior e que ficaram parados por falta de verbas. Ao estender a visita a Cabo Verde, Lula quase completa o ciclo dos países de língua portuguesa na África – só falta Guiné-Bissau. Gabão A visita ao Gabão, ex-colônia francesa governada pelo mesmo presidente há 37 anos, visava abrir uma nova plataforma de influência nos oito países de língua francesa na África, com objetivo final de aumentar o comércio com esses países. Lula mencionou várias vezes nos discursos a presença da Vale do Rio Doce no país, com um projeto que quando estiver concluído, em três anos, vai dobrar a capacidade de exportação de manganês do Gabão. Lula foi recebido com muita pompa no país, mas os acordos assinados mostram uma relação mais modesta entre os dois países: um deles refere-se a facilidades na concessão de visto para passaporte diplomático e de trabalho e outro estabelece transferência de conhecimento na plantação de mandioca. A renegociação da dívida do Gabão com o Brasil, de US$ 35 milhões, com a troca da dívida por investimentos brasileiros, deve impulsionar os negócios entre os dois países. Em Cabo Verde, país que não recebia a visita de um presidente brasileiro havia 18 anos, Lula lembrou várias vezes do herói da independência local, Amílcar Cabral. Lula foi homenageado na Assembléia Nacional, visitou a Câmara Municipal, recebeu a mais importante comenda do país, jantou com o presidente e almoçou com o primeiro-ministro. Mas foram assinados apenas três acordos: de cooperação técnica na área de tecnologia eletrônica, um ajuste completar para formação de recursos humanos e um acordo sobre serviços aéreos que apenas regulariza os vôos que já existem entre Brasil e Cabo Verde. O presidente começou a colocar em prática, porém, a generosidade que diz que os países devem ter com países menores: o Brasil perdoou a dívida de Cabo Verde, de US$ 2,7 milhões. |
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