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Kerry vai à convenção de olho nos indecisos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A imprensa americana costuma dizer que não há novidades em convenções partidárias. Isso é verdade. Elas são eventos cuidadosamente ensaiados, pensados para a encenação num palco, e isso é exatamente o que devem ser. Ambos os partidos tratam as convenções como uma oportunidade de apresentar seus candidatos da maneira mais positiva possível, sem escorregões, sem polêmica e sem notícias. É teatro político, mas isso não significa que se trata de algo que deva ser ignorado. A Convenção Democrata, na qual John Kerry vai oficialmente aceitar a candidatura de seu partido à Presidência dos Estados Unidos, é na verdade muito importante. Cortejando os indecisos A convenção é uma chance para Kerry se apresentar a pessoas que nada sabem sobre ele. Pesquisas de opinião indicam que cerca de 30% dos americanos acham que não sabem nada sobre Kerry, por mais que isso seja algo difícil de acreditar em uma era de TV a cabo e constante propaganda política. Esta é a chance de Kerry ganhar o apoio desses eleitores que já não tem mais uma grande simpatia pelo presidente Bush, mas ainda não sabem se Kerry é um candidato viável. Esse será o grande objetivo dessa convenção. Ela é para apresentar John Kerry da melhor maneira possível, tentando seduzir os cerca de 17% dos eleitores que dizem estar em cima do muro. A mensagem de Kerry Em outras palavras, nesta convenção John Kerry tem que mostrar que ele é uma alternativa viável ao presidente Bush. Ele precisa provar que é alguém para quem as pessoas podem confiar a Casa Branca. Mais especificamente, isso significa que ele precisa mostrar aos americanos que eles podem confiar nele na guerra contra o terrorismo, que ele pode lidar com as coisas no Iraque melhor do que Bush e que ele pode ser um bom administrador na área econômica.
Curiosamente, as pesquisas já mostram que, na maioria das áreas, John Kerry é visto como melhor que Bush – em especial no tocante a temas domésticos, como a economia, a saúde pública ou educação. A área em que o presidente Bush continua na frente, mas por pouco, é na condução da guerra ao terror. É por isso que, na convenção, Kerry deve insistir várias vezes em mostrar que tem pulso firme. Outra ênfase dele deve ser sua própria trajetória pessoal. Kerry deve usar sua biografia como forma de se apresentar aos americanos. Deve-se esperar ver várias referências a seu período no Vietnã e à sua experiência de senador em assuntos de política externa. Politicamente, ele vai se concentrar em dois temas. No tocante a assuntos externos, ele vai dizer que, embora os Estados Unidos não deva submeter suas necessidades de segurança às vontades da ONU ou de quem quer que seja, o país precisa reconstruir suas relações com outros países. A idéia de resgatar a imagem dos Estados Unidos no exterior será bastante importante. Na área doméstica, o tema vai ser igualdade social. John Kerry e os democratas vão tentar caracterizar o governo Bush como subordinado aos interesses dos mais ricos. Eles dirão que o governo Bush fez com que as coisas melhorassem para os abastados nos Estados Unidos, mas não foi tão bom para a classe média e os menos favorecidos. Reação O quanto esta convenção será bem-sucedida ou não poderá ser medido na reação que Kerry terá nas pesquisas. O comitê de campanha de Kerry deverá ficar satisfeito em ter uma vantagem de dez pontos percentuais ao final do evento. Neste momento, Kerry e Bush aparentam estar praticamente empatados nas pesquisas. Se a vantagem do democrata passar a ser de dois dígitos depois da convenção, Kerry e seus simpatizantes terão razões para considerar o esforço desta semana válido. |
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