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Atualizado às: 10 de julho, 2004 - 20h17 GMT (17h17 Brasília)
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Candidatos à vice podem ser fiel da balança em eleições nos EUA

A corrida presidencial para a Casa Branca pode ser decidida pela popularidade dos candidatos à vice-presidência.

O Senado americano é um lugar de decoro. É frio, de mármore e silencioso.

Senadores americanos são tão independentes dos partidos e tão grandiosos - com seus assessores e seus escritórios espaçosos - que é pouco comum eles entrarem em atrito.

Quando as diferenças extremas de opinião são inevitáveis, um senador pode dizer que o nobre colega - apesar de ser um homem íntegro, de coragem e bem intencionado - foi mal assessorado em determinada ocasião.

Cheney e Bush
Bush conta com a experiência de Cheney

Por conta disso, houve alguns olhares surpresos quando o vice-presidente Dick Cheney, caminhando pelo Senado, disse a um democrata "vá se f...".

Acredita-se que Cheney esteja perdendo o controle nos últimos meses.

Ar racional

Ele não recebe mensagens de Deus - pelo menos não fala sobre elas - o que dá a ele um seguro ar de racionalidade em uma administração com tons de fanatismo em seu âmago.

Mas Cheney está zangado.

A culpa pela bagunça no Iraque caiu sobre ele, a culpa pela falta de armas de destruição em massa, a culpa pela impressionante quantidade de dinheiro paga à sua antiga empresa, Halliburton por seu papel no fornecimento às tropas.

E ele está, aparentemente, cansado disso. Cansado o suficiente, os democratas esperam, para desmoronar no dia 5 de outubro.

Esta é a data em que o vice-presidente - idoso, careca e zangado - enfrenta o candidato democrata a vice-presidência John Edwards - jovem, com o cabelo bem-cortado e radiantemente feliz - em um debate em Cleveland, Ohio.

Vai ser a disputa da vice-presidência mais cativante da história americana.

Os democratas estão babando com a perspectiva de que o jovem e brilhante candidato irrite o zangado e idoso vice-presidente até que ele exploda soltando um monte de barbaridades e se retire do debate.

Banalidade

Edwards é certamente um trabalhador.

Eu o observei de perto esta semana e me vi, em várias ocasiões, olhando as pessoas em volta esperando vê-las ligeiramente embarassadas pela banalidade das mensagens a elas endereçadas, para na verdade, encontrá-las sorvendo as palavras em delírio e pedindo mais.

Por exemplo, em sua primeira aparição com o senador John Kerry - as famílias dos dois devidamente compondo o cenário - o senador Edwards disse que no vilarejo em que ele cresceu, as pessoas como John Kerry eram os tipos de cara que eles miram como exemplo e respeitam.

Edwards e Kerry
Edwards empresta charme à campanha de Kerry

Será que o senador Kerry - que estudou em escola suíça e se formou em Yale - era mesmo um modelo na rural Carolina do Norte?

Acho que não.

A mensagem

Depois, de novo, ouvi o sorridente Edwards dizer à multidão: "Estou aqui porque amo os Estados Unidos".

Bom, no discurso político americano há muito "amor aos Estados Unidos" - você se acostuma depois de um tempo - que normalmente é usado para esquentar o público antes que os candidatos digam algo um pouco mais substancial.

Mas com Edwards, esta é a mensagem. É isso. Ele ama os Estados Unidos e sorri.

Ele já foi pobre. Não é mais.

Ele já acreditou que Kerry falava demais e era um esnobe teimoso. Agora ele não acredita mais.

Vai ser animado. Ou ele te empolga, ou desperta horror e a maioria dos americanos ao que parece - pelo menos no momento - estão empolgados. Mas o que as pessoas pensam realmente importa?

O cargo de vice-presidente já foi famosamente descrito uma vez como algo que vale tanto quanto uma jarra de cuspe morno.

Alguns candidatos à vice-presidência foram particularmente inúteis. Lembrem-se de Dan Quayle.

Mas espera aí. Quayle venceu. Lloyd Bentsen destruiu o rival no debate, os americanos o viam como uma escolha ridícula, mas ele e George Bush pai chegaram à Casa Branca do mesmo jeito.

Opinião dividida

Este ano, no entanto, pode ser diferente. Primeiro: o eleitorado está dividido entre Bush e Kerry - metade gosta de um, a outra metade do outro.

O companheiro de chapa pode atrair as algumas centenas de votos necessárias para a vitória.

Além disso, este ano os dois candidatos têm razões para depender muito mais dos vices.

Bush precisa da experiência de Cheney. E Kerry precisa do estilo e do charme de Edwards.

Então, pela primeira vez na história moderna dos Estados Unidos, as eleições de 2004 podem ser vencidas por quem tiver o melhor candidato a vice.

Não é exatamente Bush/Cheney contra Kerry/Edwards, mas este é um grande ano para os companheiros de chapa.

Muito depende de Cheney controlar o temperamento, e de Edwards controlar o sorriso.

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