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Atualizado às: 23 de julho, 2004 - 00h25 GMT (21h25 Brasília)
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Relatório pede 'nova mentalidade' na era pós-Guerra Fria

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush
Para Paul Reynolds, culpa atribuída a Bush no relatório não é tão importante
O relatório da comissão bipartidária que investigou as circunstâncias dos atentados de 11 de setembro de 2001 é um esforço para enquadrar não apenas as agências de inteligência americanas, mas também os próprios Estados Unidos em uma nova mentalidade.

Os Estados Unidos enfrentam um inimigo invisível, cheio de determinação e que ataca com habilidade e de surpresa. São necessários novos métodos, novas estruturas, novas idéias.

Esta é a mensagem deste relatório sóbrio e ponderado. Ele faz com que a velha Guerra Fria pareça algo simples.

Desta vez, não há tanques enfileirados para enfrentar o Exército Vermelho nas planícies do norte da Alemanha, nem há mísseis prontos para responder ao ataque.

Estratégia dupla

Em vez disso, agora ninguém sabe de onde o inimigo virá. O vasto aparato de inteligência precisa ser direcionado para buscar pistas, mesmo as menores, e não as maiores ameaças.

O relatório propõe uma estratégia em duas frentes.

Deve haver, assim como na Guerra Fria, uma ideologia. E deve haver uma forma melhor de se obter informações.

O relatório sugere que, Ideologicamente, os Estados Unidos não podem apenas confrontar o resto do mundo à força, especialmente o mundo islâmico. O país precisa conseguir o apoio do mundo com suas idéias.

O relatório acusa os presidentes George W. Bush e Bill Clinton de não entenderem a natureza da nova ameaça. Em uma frase que sintetiza suas conclusões, o documento diz que houve uma "falta de imaginação" da parte deles.

Mas essa culpa atribuída aos presidentes não pesa muito.

Liderança moral

Em vez de se concentrar em acusá-los, o relatório pede aos Estados Unidos que "definam a mensagem e se coloquem como um exemplo de liderança moral no mundo. Para pais muçulmanos, terroristas como (Osama) Bin Laden não têm nada a oferecer a seus filhos, mas visões de violência e morte".

Os Estados Unidos, diz o documento, precisam "comunicar e defender os ideais americanos no mundo islâmico. Nossos esforços aqui deveriam ser tão intensos quanto no combate a sociedades fechadas durante a Guerra Fria".

É mais fácil falar do que fazer. Mas os experientes líderes políticos nesta comissão não são irresponsáveis.

O que ficou claro é que eles sabem é que este é um esforço de longo prazo e, embora aceitem que ação militar pode, em determinados momentos, ser necessária (eles concordaram que esse foi o caso no Afeganistão), esta não é a única saída.

"Oportunidades perdidas"

Houve também falhas de inteligência. Aqui, a culpa pesa mais.

Oportunidades foram perdidas. O FBI (polícia federal americana) e a CIA (serviço de inteligência dos Estados Unidos) não se comunicaram de forma adequada, às vezes até por razões justas tendo em vista problemas no passado. Dentro do FBI, no entanto, as pessoas também não se comunicaram entre si.

Tudo isso terá que mudar agora. E, até certo ponto, já mudou.

O FBI se reformulou para recolher e analisar melhor as informações.

Como resultado, o órgão escapou de ter suas atividades de inteligência transferidas para uma agência doméstica, mas, como a CIA, agora pode ter que se submeter a um novo chefe de inteligência.

Irã

Mantendo sua abordagem sóbria, a comissão jogou um balde de água fria sobre teorias de que o Iraque estava de alguma maneira envolvido com a rede extremista Al-Qaeda. Na verdade, Bin Laden recusou uma oferta iraquiana de asilo político.

Desconfia-se que o Irã estava desempenhando um papel de bastidores de ajuda ao movimento extremista islâmico antes dos atentados.

Depoimentos de prisioneiros pertencentes à Al-Qaeda revelaram que alguns ativistas passaram pelo Irã quando entravam e saíam do Afeganistão.

Esses indícios incriminando as autoridades de Teerã podem dar origem a confrontações no futuro se o governo americano decidir avançar em suas investigações. Mas a comissão é cautelosa e pede mais informações.

Nova guerra

Alguns membros da comunidade de inteligência não se mostraram impressionados com as sugestões do relatório.

"A menos que você tenha agentes de inteligência que possam fornecer informações verdadeiras aos políticos, (as mudanças serão) como rearranjar as cadeiras no convés do Titanic", disse Alex Standish, editor da revista especializada em armamentos Jane's Intelligence Digest e pesquisador da Universidade de Durham, na Grã-Bretanha.

Standish vê as falhas anteriores ao 11 de Setembro como resultantes da dependência excessiva de dados obtidos por meios eletrônicos. "Isso também aconteceu em relação ao Iraque, onde tudo acabou sendo bobagem", disse ele.

"É muito difícil obter inteligência pessoalmente com gente como os integrantes da Al-Qaeda. Muito pouca gente é capaz de penetrar (na organização)."

"Tem que haver mudanças fundamentais de cima a baixo no FBI e na CIA. Eles precisam deixar para trás a Guerra Fria. Era bem fácil lidar com a União Soviética. Ela era um alvo fixo", disse o acadêmico.

Segundo ele, ao se lidar com um inimigo como o "terrorismo internacional", não há diplomacia. E esta nova guerra pode durar tanto quanto a Guerra Fria.

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