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Atualizado às: 22 de julho, 2004 - 18h25 GMT (15h25 Brasília)
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Entenda como funciona a comissão sobre 11/9
Rumsfeld (no centro) já depôs na comissão
Comissão ouviu membros dos governos Bush e Clinton
A comissão criada pelo Congresso americano para investigar os ataques de 11 de setembro de 2001 é composta por pessoas indicadas pelo Partido Republicano, do presidente George W. Bush, e pelo Partido Democrata, que faz oposição ao governo.

Nos seus 19 meses de trabalho, a comissão entrevistou mais de mil testemunhas, incluindo o próprio Bush, e analisou mais de 2 milhões de documentos.

O relatório divulgado nesta quinta-feira apontou as falhas que, na opinião dos investigadores, tornaram os Estados Unidos vulneráveis aos ataques e também fez recomendações sobre o que deve ser feito para evitar novos atentados.

Leia as perguntas e respostas abaixo para entender melhor o papel da comissão.

O que disse o relatório?

O relatório apontou falhas de política e administração do governo na proteção do povo americano. O documento diz que faltaram ações mais efetivas e a percepção da magnitude de uma ameaça que cresceu ao longo do tempo.

A comissão, no entanto, procurou não atribuir culpa a nenhuma pessoa de maneira específica e disse que tanto indivíduos quanto instituições têm que assumir a responsabilidade pela falha de não impedir os ataques.

O relatório também recomendou uma revisão completa dos serviços de inteligência americanos, com a criação de um novo centro contra o terrorismo e a escolha de um diretor nacional de inteligência para fiscalizar as operações.

Qual é o mandato da comissão?

A comissão foi criada no final de 2002 com o objetivo de estabelecer um "relatório total e completo" dos ataques de 11 de setembro de 2001 e fazer recomendações para evitar novos ataques no futuro.

Com esse objetivo, as investigações incluíram temas como:

- a Al-Qaeda, sua organização e o planejamento dos ataques;

- outras redes de terrorismo, incluindo a forma como estes grupos arrecadam dinheiro;

- segurança das fronteiras, da aviação e dos transportes nos Estados Unidos;

- a manutenção da lei e da ordem nos Estados Unidos e a coleta de informações de inteligência no país;

- coleta de informações, cooperação e análises em âmbito internacional;

- diplomacia internacional;

- estratégias para combater o terrorismo dentro e fora do país;

- reações emergenciais a ataques terroristas.

Que conclusões já foram divulgadas?

Além da publicação do documento final, 17 relatórios preliminares chegaram ao conhecimento do público.

Eles abordaram temas como a forma como os seqüestradores entraram nos Estados Unidos, detalhes sobre os quatro vôos seqüestrados, as operações antiterrorismo anteriores aos ataques, o desempenho dos serviços de inteligência e o nível de preparação para emergências.

Quando as audiências públicas finais começaram, em 16 e 17 de junho, foram publicados três relatórios: uma explicação de como foram planejados os ataques, uma descrição do papel da Al-Qaeda e uma análise crítica da resposta dos sistemas de defesa aérea dos Estados Unidos.

Neste último, a comissão afirmou que os sistemas de defesa aérea estavam "desastrosamente despreparados" para enfrentar aquele tipo de ameaça.

Uma conclusão da comissão – a de que não foi encontrada nenhuma evidência clara de uma relação entre a Al-Qaeda e o Iraque – recebeu muita atenção na época.

Quem são os membros da comissão

Em uma tentativa de ir além das divisões partidárias, ela é encabeçada por cinco membros indicados pelos republicanos e cinco pelos democratas. Além disso, a comissão possui cerca de 80 funcionários que trabalham em tempo integral.

Os dez membros indicados pelos partidos são os seguintes:

- Thomas Kean (presidente), ex-governador de Nova Jérsei (republicano);

- Lee Hamilton (vice-presidente), ex-deputado (democrata);

- Fred Fielding, ex-conselheiro do presidente Ronald Reagan (republicano);

- Slade Gorton, ex-senador, promotor-geral do Estado de Washington (republicano);

- John Lehman, ex-secretário da Marinha no governo Reagan (republicano);

- James Thompson, ex-governador de Ilinóis (republicano);

- Richard Ben-Veniste, ex-integrante da equipe que investigou o caso Watergate (democrata);

- Jamie Gorelick, ex-vice-ministro da Justiça, conselheiro do Departamento de Defesa (democrata);

- Bob Kerrey, senador (democrata);

- Timothy Roemer, ex-deputado (democrata).

Quem prestou depoimento?

A comissão diz ter entrevistado mais de mil indivíduos em dez países. Nos primeiros dez dias de trabalho, ela interrogou 110 membros do governo federal, estadual e local, além de especialistas do setor privado.

O trabalho da comissão ganhou os holofotes em março, quando o ex-assessor de segurança da Casa Branca Richard Clarke disse que o governo Bush fez um "serviço terrível" no combate ao terrorismo.

Em abril, foram entrevistados figuras-chave dos dois últimos governos, incluindo Bush e seu vice, Dick Cheney, a ex-secretária de Estado Madeleine Albright, o ex-secretário de Defesa William Cohen, o então diretor da CIA, George Tenet, o secretário de Estado, Colin Powell, e seu colega da Defesa, Donald Rumsfeld.

A assessora de Segurança Nacional de Bush, Condoleezza Rice, prestou depoimento para a comissão a portas fechadas. Em maio, foi a vez do ex-prefeito de Nova York Rudolph Guiliani e seu sucessor, Michael Bloomberg, além do secretário de Segurança Nacional, Tom Ridge.

A comissão também conversou privadamente com o ex-presidente Bill Clinton e seu vice, Al Gore.

A comissão tem conseguido se manter distante dos interesses políticos dos partidos?

Ela tem se esforçado para parecer bipartidária, citando lapsos tanto do governo Bush quanto do governo Clinton em suas conclusões preliminares.

Mas suas ações e conclusões acabarão sendo vistas pelo prisma do ano eleitoral, já que Bush está buscando a reeleição com uma campanha que prioriza sua imagem de presidente em tempos de guerra contra o terrorismo.

Não há dúvidas de que os dois partidos tentarão ganhar algum tipo de vantagem com a publicação do relatório final.

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