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Bush procura mostrar controle sobre o Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai tentar mostrar que está em controle da situação no Iraque. Na segunda-feira, ele deve fazer um discurso em que vai detalhar como o governo interino iraquiano, que assume o poder em 30 de junho, vai funcionar. Ao mesmo tempo, porém, um ex-representante britânico no Iraque, Jeremy Greenstock, indicou que o teste para provar se o Iraque vai passar a ser estável não ocorrerá na transferência de poder do final do mês que vem, mas nas eleições previstas para dezembro ou janeiro. O fato da transferência estar sendo promovida como uma grande mudança e, ao mesmo tempo, como apenas uma mudança de administrações interinas é um sinal da incerteza acerca das políticas adotadas pela coalizão. O que foi um dia planejado como um passagem bem organizada de poder, a ser realizada durante meses em uma atmosfera de paz e cooperação, é agora uma corrida contra a violência e o caos. O que um dia parecia ser plano racional, agora parece ser uma grande confusão. E nada disso é amenizado pelos escândalos envolvendo abuso de prisioneiros, nem pela luta contra o clérigo Moqtada Al-Sadr e a incerteza quanto a quem realmente controla Falluja. O representante da Grã-Bretanha, que era a maior britânica na coalizão em Bagdá até recentemente, disse à BBC que “o que nós realmente estamos esperando para ver nos próximos meses não é o que vai acontecer com o governo interino, mas nas eleições para a assembléia nacional (...) esse será o o verdadeiro teste”. Por isso ele está tentanto jogar as expectativas sobre o futuro do Iraque do governo interino que assumirá em pouco mais de um mês, para o que vai surgir das eleições no início de 2005. Isso deixa seis meses de incerteza no país. Sem nomes Para combater essa incerteza, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão tentando ampliar a influência do governo interino o máximo que puderem. Ele não terá poder para criar ou modificar leis, mas cada vez mais parece que ele terá autoridade sobre segurança – o que significa que terá controle, de alguma forma, sobre as forças iraquianas e estrangeiras que atuam no país. Recentemente, um alto oficial britânico disse que os iraquianos teriam que ter a opção de escolher se querem ficar de fora das operações militares. Ele comparou a situação vivida pelos iraquianos a um episódio da Guerra do Kosovo, quando um general britânico se recusou a confrontar forças apesar de ter sido ordenado por um comandante americano a fazê-lo. O oficial britânico contatou Londres e foi autorizado a se recusar a cumprir a ação. Jeremy Greenstock foi além, e disse que o governo interino “tem que ser responsável por segurança em termos de políticas (...) isso tem que ficar com os iraquianos”.
O governo interino ainda não foi nomeado. Os esforços em busca de consenso entre líderes políticos iraquianos estão sendo liderados pelo enviado da ONU, Lakhdar Brahimi, mas ainda não está claro se ele vai selecionar tecnocratas, como originalmente sugeriu que iria, ou um time mais político, que poderia ter mais liderança. O governo interino terá uma presidência a ser dividida por três pessoas, mais um primeiro-ministro, que será a figura-chave. Abaixo dele, ministros serão indicados para assumir as diferentes pastas. Esse governo vai ficar no poder apenas até a realização de eleições para a Assembléia Nacional. Não será até o final do ano que vem que um governo eleito diretamente pelo povo vai ser formado. Aprovação Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha também estão procurando uma nova resolução para obter aprovação internacional para esse plano. Bush decidiu tentar mostrar que ele não é um observador passivo – e que pode exercer alguma influência. Seu discurso na segunda-feira será seguido por outros na contagem regressiva até 30 de junho. Ele também vem tentando angariar apoio dos republicanos no Congresso com uma visita ao Capitólio nesta quinta-feira. Depois do encontro, o senador John McCain, um rival do presidente dentro do partido, deu um sinal de aprovação e disse que Bush havia feito um bom discurso. Este é um tempo de grande nervosismo, quase de pânico em algumas vizinhanças, sobre como o Iraque saiu de controle. Mas ninguém acha que o fim está à vista. |
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