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Bolívia diz que pedirá adesão plena ao Mercosul
Choquehuanca disse que Morales formalizará pedido em breve
Choquehuanca disse que Morales formalizará pedido em breve
A Bolívia deverá apresentar um pedido formal para se tornar membro pleno do Mercosul, assumindo status igual ao de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela dentro do bloco.

O ministro do Exterior boliviano, David Choquehuanca, que está em Brasília em visita oficial, disse que o presidente Evo Morales deverá oficializar "nas próximas horas" uma solicitação para que a Bolívia passe da condição de país associado a membro pleno.

Segundo o Itamaraty, o pedido deverá ser feito em cartas individuais aos presidentes dos países-membros do Mercosul, uma vez que a decisão deve ser tomada por consenso.

Choquehuanca disse que espera ser possível anunciar "boas notícias" em relação ao assunto na reunião de cúpula do Mercosul, marcada para o próximo dia 18 de janeiro, no Rio de Janeiro.

O chanceler acrescentou que os membros da CAN (Comunidade Andina de Nações) - bloco ao qual a Bolívia pertence, junto com Colômbia, Equador e Peru -, também deverão ser informados.

No entanto, Choquehuanca esclareceu que a Bolívia não pretende sair da CAN quando passar a integrar o Mercosul como membro-pleno - diferentemente do que fez a Venezuela.

"Queremos uma entrada (no Mercosul) sem perder a participação na CAN", afirmou Choquehuanca, que nesta quinta-feira se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O chanceler viaja acompanhado de outros cinco ministros da Bolívia.

Preço do gás

O preço do gás que o Brasil compra da Boívia foi um dos principais temas tratados nas reuniões entre o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, e o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, também nesta segunda-feira.

Villegas defendeu que o país pague US$ 5 por milhão de BTU (unidade térmica britânica, na sigla em inglês), o que representaria um aumento de 25% em relação ao preço atual e alcançaria o mesmo valor acertado com a Argentina.

Segundo o jornal boliviano La Razón, a proposta é que esse preço seria aplicado aos 26 milhões de metros cúbicos de gás que o Brasil importa diariamente pelo gasoduto Brasil-Bolívia (por US$ 4,6/BTU), assim como para o 1,2 milhão de metros cúbicos exportados ao Mato Grosso (por US$ 1,09/BTU).

A renegociação do preço do gás e de outros termos da operação da Petrobras na Bolívia está em curso desde que o governo boliviano decretou a nacionalização dos recursos naturais do país, atingindo diretamente os interesses da empresa brasileira e de outras multinacionais do setor que atuam na Bolívia.

O presidente da estatal Yacimentos Petroliferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Juan Carlos Ortiz, também, participou das reuniões.

Segundo a agência de notícias Associated Press, Villegas também disse que a Bolívia e a Venezuela devem criar uma empresa petrolífera para extrair gás do país.

O ministro disse que a empresa deverá ser formada em 2007, mas não informou quando começará a operar.

Além de Choquehuanca e Villegas, estão no Brasil os ministros Hernando Larrazábal (Planejamento do Desenvolvimento), Salvador Ric (Serviços e Obras Públicas), Hugo Salvatierra (Desenvolvimento Rural e Agropecuário) e Celina Sosa (Produção e Microempresa).

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