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Atualizado às: 15 de dezembro, 2006 - 06h28 GMT (04h28 Brasília)
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Bolívia retoma debate sobre Constituinte às vésperas de protestos
Cartaz pedindo autonomia para regiões bolivianas
Oposição pretende reunir milhares de manifestantes em Santa Cruz
Um dia antes da série de protestos programados pela oposição ao governo boliviano, os parlamentares do Movimento ao Socialismo (MAS, o partido do presidente Evo Morales) reinstalaram nesta quinta-feira a plenária da Assembéia Constiuinte.

A sessão, com o objetivo de debater a revisão no sistema de votação da nova Constituição boliviana, teve a presença de apenas três parlamentares de oposição, segundo informações da agência de notícias EFE.

Nesta sexta-feira, quatro dos nove departamentos (Estados) bolivianos - Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija - vão realizar uma série de protestos e assembléias populares para exigir que a nova Constituição garanta a eles maior autonomia em relação ao governo central. As manifestações também pedem respeito à legislação.

Transmitida pelo canal de televisão estatal, a sessão da Assembléia Constituinte foi reaberta com o mesmo tema que provocou sua interrupção duas semanas atrás e que nesta quinta-feira motivou a ausência da maioria dos representantes da oposição: o sistema de votação da nova Constituição.

O governo de Evo Morales, que controla pouco mais da metade da Assembléia Constituinte (composta por 255 membros), propõe que a aprovação dos artigos da nova Constituição seja por maioria simples. A oposição defende que seja por dois terços dos votos.

Os constituintes do MAS rejeitaram o pedido do partido centrista Unidade Nacional (UN) para adiar o debate até a próxima segunda-feira.

Protestos

Esse impasse se estende há semanas e tem provocado diversos protestos, inclusive uma greve de fome declarada pela oposição que envolveu mais de 2 mil manifestantes no país.

Os governadores dos quatro departamentos decidiram convocar assembléias para esta sexta-feira com o objetivo de discutir a autonomia em relação ao governo central.

De acordo com a agência de notícias AP, os líderes do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz e o governador do departamento, Rubén Costas, esperam reunir 1 milhão de pessoas no centro de Santa Cruz de la Sierra.

Manifestantes que fizeram greve de fome durante vários dias na praça central de Santa Cruz já deixaram o local para abrir espaço para a manifestação. O mesmo ocorreu em Beni.

Autonomia

Santa Cruz, que é o centro do poder econômico do país e principal reduto da oposição, quer manter uma fatia maior da riqueza gerada na região e ter mais autonomia econômica.

Mas alguns grupos mais radicais nos quatro departamentos defendem a emancipação total do resto da Bolívia.

Em um referendo realizado em julho, o "Sim" à autonomia ganhou nesses quatro departamentos. Isso significaria que os governantes desses departamentos teriam maior controle sobre questões políticas e econômicas.

Em todo o país, 58% dos eleitores votaram contra a autonomia.

No início desta semana, o presidente Evo Morales chegou a convocar as Forças Armadas e a população para "defender a pátria" frente aos movimentos cívicos dos quatro departamentos que pretendem ganhar autonomia.

Prontidão

O Exército boliviano está em alerta. Segundo a agência de notícias AP, nesta quinta-feira o Exército emitiu um comunicado informando o roubo de dez fuzis e uma pistola de uso exclusivo das Forças Armadas de uma base militar em Cobija, no norte da Bolívia.

"O uso desse armamento visa acusar posteriormente as Forças Armadas de utilizar suas armas exclusivas contra civis, especialmente na concentração em Santa Cruz", diz a nota, de acordo com a AP.

O senador Paulo Bravo, do principal partido de oposição, o Podemos, afirmou, conforme a AP, que "se houver um massacre de Natal, a culpa será toda do governo".

Grupos indígenas e camponeses ligados ao MAS planejam realizar uma "contra-assembléia" em outra praça de Santa Cruz.

Nesta quinta-feira, já foram registrados incidentes entre grupos partidários e opositores ao governo, segundo a AP.

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Entenda os protestos contra o governo de Evo Morales.
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