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Governador boliviano promete manter greve de fome até o 'limite' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governador do Departamento (Estado) boliviano de Tarija, Mario Cossío, de 46 anos, está há quatro dias sem comer e afirma que está disposto a ir até o "limite" com a greve de fome para "defender a democracia boliviana". A atitude, que é supervisionada por médicos, é um protesto contra as regras estabelecidas para votação dos artigos da nova Constituição da Bolívia. Desde o início da greve de fome, Cossío vive à base de água e dorme no salão principal do palácio de governo, acompanhado de outras sete pessoas que também não comem nada. "O presidente Evo Morales é de uma esquerda totalitária, avessa ao diálogo, e, se não nos atender, vamos ver que outras medidas poderemos adotar", afirmou à BBC Brasil o governador, por telefone, de Tarija. Jejum Cossío confessa que sentiu muita fome nas primeiras horas de jejum, mas que já está acostumado a passar os dias a água e já perdeu "alguns quilinhos". Para o governador, Morales fez uma brincadeira de mau gosto ao afirmar que os prefeitos (governadores) de quatro dos nove departamentos (Estados) não estão de greve de fome, mas, sim, de dieta. "O presidente tem muitas preocupações no país e não deveria desviar a atenção dos problemas reais", protesta Cossío. Na tarde desta quinta-feira, o prefeito de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, também ameaçava integrar o protesto, que já reúne mais de 700 pessoas em diferentes pontos do país, segundo estimativas dos chamados "comitês cívicos", que viraram símbolo de oposição às medidas do governo Morales. Até agora, o protesto inclui os governadores da região conhecida, por seu formato geográfico, como "Meia Lua": Santa Cruz de la Sierra, Beni, Pando e Tarija. A região é a mais rica do país e abriga poços da Petrobras e de outras petroleiras. Nas últimas horas, simpatizantes de Morales também aderiram à greve de fome, mas em defesa da Constituição defendida pelo presidente. Dois terços O argumento dos governadores, além de deputados, empresários, comerciantes e grupos de mulheres de diversas carreiras que estão em greve de fome (em muitos casos, há mais de dez dias) é que a Assembléia Constituinte não respeitou a lei em vigor, que exige dois terços dos votos para aprovaçao dos artigos da carta magna. "A reforma será feita por um só partido, o MAS, e todos os outros setores do país vão ficar de fora das novas regras constitucionais", disse Cossío. "Queremos a união do país ou seremos obrigado a considerar a autonomia direta dos nossos departamentos", afirmou. A autonomia política e administrativa dos departamentos foi aprovada em um referendo realizado em julho passado, seis meses depois da primeira eleição direta para governadores. Nos próximos dias, a cidade de Cochabamba será sede da reunião de cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações. O evento contará com a presença de diversos chefes de Estado do continente, incluindo o presidente Lula. Nas últimas horas, o presidente Evo Morales pediu uma trégua aos que estão em greve de fome. De acordo com assessores, o presidente preferia não ter que enfrentar o protesto ao mesmo tempo em que recebe colegas de outros países. Mas aparentemente o pedido de Morales não será atendido. Na opinião do vice-presidente Alvaro García Linera e de ministros do governo, os integrantes dos Estados ricos formam parte da "direita" do país e protestam porque "não querem perder privilégios". Na madrugada desta quinta-feira, manifestantes libertaram o prefeito de La Paz, José Luis Paredes, de acordo com informações de jornais bolivianos. Paredes denunciou ter sido seqüestrado por simpatizantes de Morales que queriam "obrigá-lo" a defender as regras atuais da Assembléia Constituinte. |
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