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Atualizado às: 01 de novembro, 2006 - 16h26 GMT (13h26 Brasília)
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Mandela presta homenagem a ícone do apartheid
P. W. Botha e Nelson Mandela
Mandela disse que Botha conduziu o país para o fim do apartheid
O principal representante do movimento anti-apartheid, Nelson Mandela, divulgou um comunicado em que presta homenagem ao ex-presidente da África do Sul P. W. Botha, que morreu nesta terça-feira aos 90 anos.

Mandela descreveu Botha como um símbolo da segregação racial no país, mas ressaltou que ele deu passos em direção à negociação pela paz no país.

"Enquanto para muitos Botha vai continuar sendo um símbolo do apartheid, nós também nos lembraremos dele pelos passos que ele tomou para abrir o caminho rumo ao acordo negociado pacificamente no nosso país", disse Mandela em um comunicado.

Botha liderou o governo da minoria branca na África do Sul entre 1978 e 1989, no auge da luta anti-apartheid.

Segundo o correspondente da BBC no país Peter Biles, Botha vai ser lembrado como uma figura desafiadora.

Ele se recusou a libertar Nelson Mandela da prisão e presidiu sob estado de emergência em uma tentativa frustrada de sufocar a oposição ao sistema de apartheid.

Grande Crocodilo

O Congresso Nacional Africano, que na época foi declarado ilegal por Botha, esteve entre os primeiros a oferecer condolências na terça-feira.

"O Congresso Nacional Africano estende sua compaixão e condolências à família, amigos e colegas do ex-presidente Botha, que faleceu. O congresso deseja à sua família força e conforto neste momento difícil", disseram os representantes do congresso em um comunicado.

O ex-presidente F. W. De Klerk, que sucedeu Botha, também emitiu uma mensagem nesta quarta-feira.

"Botha era um líder forte e um organizador eficiente. Eu gostaria de homenagear Botha pela enorme contribuição que ele deu para preparar o caminho em direção à nova África do Sul."

De Klerk liderou a África rumo a eleições multi-raciais.

Botha - conhecido pelos africâners como o "Grande Crocodilo" - morreu em sua casa no Cabo Ocidental, após 17 anos de aposentadoria.

Nos anos 90, Botha foi intimado a se apresentar à Comissão da Verdade e da Reconciliação, um painel criado pelo então governo do presidente Mandela para julgar abusos.

O painel concluiu, em 1998, que Botha era culpado por grandes violações de direitos humanos.

Milhares de pessoas foram detidas sem julgamento durante sua presidência, enquanto outras foram torturadas e mortas. Porém, ele se recusou a pedir desculpas pela prática do apartheid.

Sem remorsos

Apesar de algumas reformas cosméticas terem sido introduzidas em 1983, permitindo a inclusão de comunidades asiáticas e multi-raciais no parlamento, Botha não realizou progressos no avanço da liberdade política.

Ele impôs um estado de emergência em 1986, após a maioria negra da África do Sul ter se recusado a aceitar suas reformas.

Botha fracassou em satisfazer os dois lados do país radicalmente dividido - e também a opinião internacional - e conseqüentemente abdicou do cargo após uma luta por poder dentro de seu gabinete.

O ex-presidente seguiu uma vida tranqüila com sua segunda mulher, Barbara, na cidade costeira de Wilderness, cerca de 350 quilômetros a leste da Cidade do Cabo, durante quase duas décadas.

Em uma entrevista para marcar seu 90º aniversário, Botha insinuou que não tinha remorsos em relação à forma como governou o país.

Nelson MandelaÁfrica do Sul
Exposição mostra os protestos contra apartheid
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