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Desmond Tutu critica 'ingratidão' dos brancos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O arcebispo Desmond Tutu disse que a comunidade branca da África do Sul não mostrou gratidão suficiente pela generosidade com que foi tratada pela população negra do país. O ex-presidente da África do Sul, FW de Klerk, disse, por outro lado, que os cidadãos negros deveriam ser gratos aos brancos por eles terem abdicado do poder. Desmond Tutu, que foi um ícone da resistência contra o apartheid, liderou a Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul, que iniciou atividades em abril de 1996, depois do fim do regime de segregação racial. Em entrevista à BBC, ele disse que uma das falahas da comissão foi não ter conseguido envolver a comunidade branca. Ele também mostrou preocupação com a desigualdade social e a pobreza na África do Sul. Pobreza Ele disse que, durante o apartheid, os negros sul-africanos eram as principais vítimas de um sistema político do qual os brancos se beneficiavam imensamente. "De maneira geral, a comunidade branca não parece demonstrar muita gratidão pela incrível magnanimidade daqueles que foram as grandes vítimas de um sistema do qual (os brancos) se beneficiaram tanto", disse o arcebispo. Desmond Tutu expressou preocupação com a pobreza "degradante" na África do Sul. "É obrigação de todos tentar fazer algo a respeito", disse ele. No domingo, o ex-presidente De Klerk admitiu em um artigo no jornal sul-africano Sunday Independent que o domínio branco era "impossível de defender do ponto de vista moral". Mas acrescentou que os brancos haviam feito sacrifícios. De Klerk, presidente entre 1989 e 1994, foi o último branco a governar a África do Sul. Ele abriu caminho para um governo democrático ao libertar prisioneiros políticos e suspender leis que baniam o Congresso Nacional Africano e outras organizações. "Não seria apropriado também que os negros sul-africanos reconhecessem a contribuição que os brancos fizeram para a nova África do Sul?" - escreveu De Klerk em seu artigo. "Foi preciso muita coragem (...) para vencer o medo natural e depositar confiança nos antigos inimigos", disse De Klerk. As declarações coincidem com a divulgação de um relatório falando do envolvimento de militares sul-africanos em atividades clandestinas para desestabilizar o país no início da década de 90. O documento, escrito por um general ativo durante o apartheid, foi encomendado por De Klerk. |
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