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EUA dizem que carta do Sudão 'desafia a ONU' | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os representantes dos países-membros Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) qualificaram como "ofensiva" uma carta enviada pelo Sudão advertindo nações africanas e árabes para não enviarem soldados para uma força de paz na região de Darfur. Os Estados Unidos pediram uma reunião de emergência do conselho, dizendo que a carta representa "um desafio aberto". Mas não há acordo sobre como reagir à advertência do Sudão. Alguns países-membros dizem que a carta deveria ser ignorada. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que Darfur, que enfrenta conflito há três anos, está "à beira da catástrofe". Uma força da União Africana de 7 mil soldados não conseguiu pôr fim ao conflito, em que 200 mil pessoas morreram e 2 milhões tiveram que abandonar suas casas. "Ato hostil" O presidente do Conselho de Segurança em outubro, o embaixador japonês Kenzo Oshima, disse que alguns membros sentiram que "a linguagem (da carta) é inapropriada e ofensiva". Oshima disse que deve ser analisada a possibilidade de se formular uma resolução condenando a carta, mas foi decidido que o conselho deve se concentrar em como restaura a paz na região. A carta do Sudão disse que contribuir com uma força de paz proposta pela ONU será vista como "um ato hostil". O Sudão não deseja que a ONU assuma o controle da força de paz, hoje com a União Africana, alegando que isso será um ataque à sua soberania. O conselho aprovou planos para o envio de uma força de 20 mil soldados, com um mandato rigoroso, mas disse que só fará isso se o Sudão concordar. O embaixador americano na ONU, John Bolton, disse que exigiu "uma resposta vigorosa". Bolton acrescentou que foi permitido ao Sudão "intimidar países que contribuem com tropas". O embaixador da Grã-Bretanha na ONU, Emyr Jones Parry, disse à BBC que a carta é "inaceitável", mas que será melhor ignorá-la. O conselho disse que está buscando "esclarecimentos" sobre a carta junto ao embaixador do Sudão na ONU. "Catástrofe" O governo americano afirma que forças militares do Sudão estão ajudando a realizar um genocídio contra africanos negros de Darfur. O governo sudanês nega estar apoiando a milícia árabe Janjaweed, acusada de ataques a vilarejos, usando cavalos ou camelos, praticando assassinatos, estupros e saques. O conflito começou em meados de 2003, quando dois novos grupos rebeldes começaram a atacar alvos do governo em Darfur. O Sudão diz que o sofrimento na região está sendo exagerado por razões políticas. Ao fazer seu relato à ONU na quinta-feira, Kofi Annan disse que o acesso de agências de ajuda humanitária a Darfur é o menor desde 2004. Segundo ele, um acordo de paz acertado em maio teve pouco impacto. "Ao invés de reconciliação e fomento de confiança, nós estamos testemunhando uma intensificação da violência e aprofundamento da polarização. A região está, novamente, à beira de uma situação de catástrofe", disse Annan. |
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