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Atualizado às: 18 de setembro, 2006 - 11h28 GMT (08h28 Brasília)
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Desculpas do papa não aplacam revolta muçulmana
Clérigos iranianos realizam protestos contínuos
O pedido de desculpas feito pelo papa Bento 16 no domingo foi bem recebido por líderes muçulmanos mas não foi suficiente para aplacar a revolta em diversas partes do mundo islâmico.

Novos protestos foram realizados nesta segunda-feira na Indonésia e no Irã. Na região indiana da Caxemira foi realizada uma greve em protesto contra as delcarações do papa.

O ministro das Relações Exteriores da Malásia, Syed Hamid Albar, exigiu que o papa fizesse um pedido de desculpas mais claro.

"A declaração do papa dizendo lamentar a reação raivosa (ao discurso) é inadequada para acalmar a ira (dos muçulmanos), especialmente porque ele é o líder supremo do Vaticano", disse Albar.

O influente clérigo do Catar, Yusuf Al-Qaradawi, pediu a convocação de um 'dia de ira', na próxima sexta-feira, dizendo que o pedido de desculpas de Bento 16 não seria suficiente.

Visita

Pelo menos sete igrejas católicas foram atacadas nos territórios palestinos desde a terça-feira, quando o papa fez referências ao Islã e à guerra santa, citando palavras de um imperador católico que viveu no tempo das cruzadas católicas contra os países islâmicos.

"Não consideramos o comunicado atribuído ao papa como um pedido de desculpas", disse Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, partido que controla o Parlamento palestino.

No domingo, uma missionária católica foi assassinada na capital da Somália, e há suspeitas de que ela teria sido vítima de um ataque em retaliação aos comentários do papa.

O vice-premiê da Turquia Mehmet Aydin, disse que "ou se pede desculpas direito ou não se fala nada. Você lamenta ter dito o que disse ou as suas consequências?"

No entanto, a maior autoridade muçulmana do país, Ali Bardakoglu, disse que as palavras do papa deste domingo mostrava respeito pelo Islã e uma posição civilizada.

A visita do papa à Turquia, marcada para novembro, está confirmada.

Elogios

Em sua benção dominical, o pontífice máximo da igreja católica ressaltou que as opiniões citadas por ele na semana passada em seu discurso na universidade de Regensburg, na Alemanha, foram escritas há seis séculos e não refletem de maneira alguma o ponto de vista dele.

"Eu espero que isso sirva para acalmar os corações e esclarecer o verdadeiro significado do meu discurso, que era e é em sua totalidade um convite para um diálogo sincero e franco, com respeito mútuo", disse o religioso.

Diversas organizações islâmicas responderam positivamente ao pedido de desculpas feito pelo papa.

Na Índia, um porta-voz da comunidade em Lucknow, Khalid Rashid, disse que as declarações de Bento 16 eram "bem-vindas", e pediu o fim dos protestos contra o Vaticano.

"O pedido de desculpas vai melhorar as relações entre os muçulmanos e cristãos em todo o mundo", disse Rashid à agência AFP.

Ainda de acordo com a agência, as declarações do papa foram consideradas satisfatórias na Grã-Bretanha.

Na Alemanha, o Conselho Central de Muçulmanos afirmou que o papa deu um "importante passo" para esfriar as tensões dos últimos dias, e expressou o desejo de que a situação se acalmasse.

No Egito, a Irmandade Muçulmana acolheu as palavras de Bento 16, mas afirmou que o pedido de desculpas não é "definitivo".

"Essa retratação é sem dúvida um passo importante em direção à atitude correta e ao pedido de desculpas correto, mas não chega a ser um pedido definitivo e decisivo que satisfaria a todos os muçulmanos", disse o porta-voz do grupo de oposição, Mohammed Habib.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu aos líderes religiosos ao redor do mundo que ajam de maneira responsável e contida.

"Tenho certeza de que as principais religiões do mundo terão coragem e sabedoria para evitar excessos no seu relacionamento. Entendemos muito bem quão sensível é o tema, (por isso) é correto pedir a líderes de todo o mundo que demonstrem responsabilidade e comedimento."

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