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Papa é alvo de novas críticas no mundo islâmico | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um discurso do Papa Bento 16 em que ele citou um texto de 1391 que, entre outras coisas, falava sobre guerra santa, continua gerando críticas no mundo islâmico. Falando sobre o assunto em Cuba – onde participa do Fórum dos Não-Alinhados –o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, se disse contra o que chamou de "tendências sinistras". "Nossa estratégia tem de, claramente, se opôr às tendências sinistras de associar o terrorismo com o Islã e à discriminação contra muçulmanos, que está incentivando uma alienação entre o mundo ocidental e o mundo do Islã", disse Musharraf. Também em Cuba, o primeiro-ministro da Malásia, Abdullah Ahmad Badawi disse que o Papa não deveria subestimar a sensação de revolta que a citação gerou. "O Vaticano deve, agora, assumir responsabilidade pelo assunto e adotar as medidas necessárias para retificar o erro", disse. Defesa Em meio às críticas, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, saiu em defesa do Papa Bento 16. Merkel disse que os críticos "entenderam mal" o objetivo do discurso do Papa, que teria sido "fazer um apelo para o diálogo entre as religiões". "O que Bento 16 enfatizou foi uma renúncia firme e inflexível de todas as formas de violência em nome da religião", afirmou Merkel. O Vaticano também rejeitou a interpretação das declarações do Papa como um ataque contra o Islã e disse que Bento 16 não teve a intenção de ofender ninguém. "Assustadora brutalidade" No discurso, intitulado "Fé, Razão e a Universidade: Memórias e Reflexões", o Papa cita um diálogo de 1391 entre um emperador bizantino, Manuel II Paleologus, e um intelectual persa sobre as religiões cristã e muçulmana. O Papa menciona que, em um determinado momento do diálogo, o emperador cita o tema da guerra santa, nas palavras do Papa, com uma "assustadora brutalidade". "Mostre-me tudo o que Maomé trouxe de novidade, e encontrarás apenas coisas más e desumanas, como sua ordem de espalhar com a espada a fé que ele pregava". Durante a palestra, o papa acrescentou que "a violência é incompatível com a natureza de Deus e a natureza da alma". Na parte final do discurso, o Papa diz que "a intenção aqui não é fazer uma crítica negativa, mas ampliar nosso conceito de argumentação e sua aplicação. Só assim seremos capazes de um diálogo genuíno entre culturas e religiões, tão necessário nos dias de hoje", concluiu o pontífice. Revolta O líder da Irmandade Muçulmana do Egito, Mohammed Mardi Akef, disse que as palavras do papa causaram "revolta em todo o mundo islâmico" e representam "crenças erradas e distorcidas que estão sendo disseminadas no Ocidente". Para Youssef al-Qardawi, um proeminente clérico muçulmano no Catar, ouvido pela agência Reuters, os muçulmanos têm o direito de se sentir ofendidos pelos comentários do papa. "Queremos que o papa peça desculpas à nação islâmica por ter insultado sua religião, seu profeta e suas crenças", afirmou ele. No Irã, um influente clérigo, Ahmad Khatami, disse: "É lamentável que o líder religioso dos cristãos tenha tão pouco conhecimento do Islã, e que fale sem vergonha disso". Visita à Turquia O papa tem uma viagem à Turquia planejada para o mês de novembro que, segundo o Vaticano, acontecerá como o planejado. Mas a repercussão das palavras do papa no país - predominantemente muçulmano - não foi boa. O líder religioso turco Ali Bardakoglu fez questão de mencionar as atrocidades cometidas durante as cruzadas, na Idade Média, contra cristãos ortodoxos, judeus e muçulmanos. Ele também afirmou que os comentários de Bento 16 refletiam "um ponto de vista repugnante, hostil e preconceituoso", e afirmou esperar que as palavras não espelhassem "ódio no coração" do papa. |
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