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Atualizado às: 13 de setembro, 2006 - 15h53 GMT (12h53 Brasília)
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Otan ignora pedidos de mais soldados para o Afeganistão
Soldado britânico no Afeganistão
Metade das tropas da Otan no Afeganistão é de britânicos
Representantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), reunidos em Bruxelas, na Bélgica, não atenderam nesta quarta-feira pedidos para ceder mais tropas para operações no Afeganistão.

Nenhum membro da aliança ofereceu formalmente reforços durante o encontro. A reunião tentava acertar o envio ao Afeganistão de mais 2,5 mil soldados - o número que os comandantes dizem ser necessário para conter os novos focos de insurgência do Talebã.

No entanto, o porta-voz da Otan, James Appathurai, afirmou em uma entrevista coletiva após o encontro que houve "indícios positivos" de que alguns aliados estão considerando a hipótese de mandar tropas adicionais.

O encontro desta quarta-feira ocorreu em meio a uma forte pressão por mais tropas por parte da Força Internacional de Assistência de Segurança (Isaf, na sigla em inglês), que está atuando no sul afegão contra militantes do Talebã.

Há pelo menos 18,5 mil soldados hoje no Afeganistão, a maioria da Otan, além de quase o mesmo número de militares americanos.

"Assombrar o mundo"

Antes da reunião desta quarta-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, alertou que o Afeganistão poderia se tornar um país fracassado e voltar para "assombrar o mundo", se a Otan não ajudar mais o país no seu caminho para a democracia.

A declaração foi feita durante uma viagem ao Canadá, onde a participação nas forças da Otan não conta com a aprovação da população. Ao mesmo tempo, o Conselho de Segurança da ONU aprovava a continuidade da operação liderada pela Otan no Afeganistão.

Condoleezza Rice afirmou que a posição estratégica do país significa que o Afeganistão corre risco de se tornar um porto seguro para militantes extremistas e que os Estados Unidos aprenderam sua lição quando deram pouca atenção ao país após a retirada da União Soviética, em 1989.

"Todos nós pagamos por isso", disse a secretária de Estado. "Se você permite este tipo de vácuo, se permite que haja um Estado fracassado numa posição estratégica, você vai pagar o preço. Devemos ao povo do Afeganistão a ajuda para terminar o serviço."

Metade dos soldados da Otan no Afeganistão é de nacionalidade britânica ou canadense. Australianos, alemães, holandeses e estonianos também fazem parte da força.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse ser de "fundamental importância" para a segurança mundial que "o trabalho no Afeganistão seja bem feito".

"Não devemos nos esquecer que nossas tropas estão no Afeganistão, ao lado das de outros países da Otan, porque é de lá que vem o terrorismo do 11 de Setembro", afirmou.

Mas, segundo o correspondente da BBC em Cabul Alastair Leithead muitos outros países estão relutantes em oferecer tropas para o que é hoje considerada a parte mais difícil da missão.

Ameaça maior que Al-Qaeda

No mês passado, comandantes da Otan assumiram o controle das operações na região, anteriormente lideradas pelos Estados Unidos, mas começaram a enfrentar uma onda de ataques do Talebã em seguida, principalmente no sul do país.

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, afirmou que o Talebã era uma ameaça maior para a segurança da região que a Al-Qaeda de Osama Bin Laden.

"O centro de gravidade do terrorismo se transferiu da Al-Qaeda para o Talebã", ele disse a parlamentares europeus, em Bruxelas.

Para Musharraf, um Talebã fortalecido é particularmente perigoso, já que, ao contrário da Al-Qaeda, o grupo tem uma história com o povo afegão.

Foguetes

De acordo com a agência Associated Press, militantes lançaram dois foguetes contra o leste da cidade de Jalalabad nesta quarta-feira, pouco antes de uma visita do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e do primeiro-ministro do Paquistão, Shaukat Aziz.

O ataque não deixou feridos. Um dos foguetes caiu perto do aeroporto da cidade, enquanto o segundo teria atingido uma área próxima a um tribunal de justiça, segundo um porta-voz da polícia.

A segurança na cidade foi intensificada depois do incidente, com soldados afegãos e americanos fechando ruas e revistando carros.

A polícia afegã anunciou ter matado 16 militantes do Talebã em um combate durante a madrugada na Província de Helmand.

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