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ONU vai mediar libertação de soldados, diz Annan | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse nesta segunda-feira que tanto Israel como o grupo militante libanês Hezbollah aceitaram que a ONU ajude os dois lados a chegar a um acordo no caso dos dois soldados israelenses capturados pelo Hezbollah. Annan disse que designaria um mediador que trabalharia de forma "discreta e silenciosa" para encontrar uma solução. "Eu não vou nem dizer o nome da pessoa, nem hoje nem amanhã, porque eu quero que ele seja capaz de trabalhar discretamente", afirmou Annan, em visita a Jidá, na Arábia Saudita, segundo a agência de notícias Associated Press. A captura dos soldados, em uma incursão do Hezbollah em território israelense no último 12 de julho, foi o estopim de um conflito entre Israel e o grupo libanês xiita que durou até 14 de agosto, quando entrou em vigor um cessar-fogo estipulado pela resolução da ONU 1701. O Hezbollah quer trocar os soldados por prisioneiros libaneses mantidos em prisões israelenses. Mediação? Embora o secretário-geral da ONU tenha falado em um "mediador", nem Israel nem Hezbollah se referiram ao papel da ONU dessa forma. O porta-voz do Ministério do Exterior de Israel, Mark Regev, disse que o país mantém a posição de que não vai entrar em negociações com o Hezbollah para libertar os soldados. Uma outra fonte do governo israelense confirmou à agência Reuters que Israel aceitou a ajuda da ONU na crise, mas negou que a entidade atuará como mediadora, alegando que a questão não admite negociações. "Um mediador não é necessário. A resolução da ONU determina que os soldados sejam soltos incondicionalmente. O secretário-geral da ONU vai assistir (a libertação), não mediar", disse a fonte. Um alto representante do Hezbollah, o ministro de Energia do Líbano, Mohammed Fneish, disse que não poderia comentar o papel de Annan. "Nós concordamos com um princípio básico, que é conduzir uma troca de prisioneiros por meio de negociações indiretas. Quem é o canal é um detalhe", afirmou Fneish, segundo a agência de notícias Reuters. O porta-voz de Annan, Ahmad Fawzi, disse que a definição precisa do papel do designado do secretário-geral não era um problema para a ONU. "O que nós estamos tentando atingir é a libertação dos soldados", disse Fawzi. "Eu realmente não quero entrar em definições. A principal questão é que ele ofereceu seus préstimos e eles aceitaram." A libertação dos militares é uma dos condições centrais que a resolução 1701 prevê para que seja implementado um cessar-fogo permanente. O texto também "encoraja" a solução da questão dos prisioneiros libaneses sob custódia israelense. Israel já se envolveu em trocas de prisioneiros no passado e, segundo a agência de notícias Reuters, uma fonte do governo israelense disse na semana passada que o país estava disposto a discutir a possibilidade de libertar cidadãos libaneses em troca da libertação dos soldados, com a condição de que isso fosse negociado pelo Estado libanês, não com o Hezbollah. Ainda de acordo com a Reuters, nesta segunda-feira o governo libanês apresentou ao Conselho de Segurança da ONU uma reclamação do bloqueio aéreo e marítimo imposto por Israel desde o dia 14 de agosto, quando entrou em vigor o cessar-fogo. Catar envia soldados A viagem à Arábia Saudita faz parte de um giro que o secretário-geral da ONU faz pelo Oriente Médio. Ao visitar o Catar, também nesta segunda-feira, Annan obteve do ministro das Relações Exteriores, xeque Hamad Bin Jassem al-Thani, o compromisso de que o país vai enviar soldados para a missão de paz ONU no Líbano. O Catar tornou-se assim o primeiro país árabe a se comprometer a enviar militares ao Líbano. “Nós decidimos que o Catar vai participar da Unifil (força de paz da ONU no Líbano) enviando de 200 a 300 militares e nós acreditamos que a Unifil deve ter tarefas específicas na área”, disse al-Thani em entrevista à imprensa. Ele não confirmou quando serão enviadas as tropas para a missão que tentará garantir a paz entre Israel e o grupo xiita Hezbollah no sul do Líbano. De acordo com a resolução 1701, a força da ONU deverá ter 15 mil soldados. Vôos diretos O Catar é o único país da região do Golfo a manter relações – ainda que restritas – com Israel. O país também é sede de uma importante base norte-americana. A oferta de tropas aconteceu horas antes de o Catar anunciar que vai retomar os vôos diretos para o Líbano, apesar do bloqueio aéreo imposto por Israel. Até agora, apenas as companhias aéreas do Líbano e da Jordânia podiam voar para Beirute, com a condição de passarem por uma inspeção de segurança em Amã, a capital jordaniana. Mais de 1,1 mil libaneses e 160 israelenses morreram durante os 34 dias de combates. |
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