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Pesquisas dão vitória a Morales em Constituinte | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Resultados não-oficiais de pesquisas eleitorais dão a vitória da eleição da Assembléia Constituinte ao partido do presidente Evo Morales. Os primeiros números apontam para uma votação consistente para o partido de Morales, Movimento para o Socialismo, que teria conquistado 133 das 255 cadeiras da Constituinte. O sucesso, contudo, não garante a Morales o controle total sobre o processo, que seria possível se seu partido obtivesse 2/3 do eleitorado. Evo Morales apoiou fortemente sua campanha política na necessidade de reescrever a Constituição do país seguindo um processo de nacionalização e promovendo a redistribuição de terra. Relatórios “favoráveis” Numa eleição paralela, quatro das nove províncias bolivianas votaram em peso para ter maior independência do governo federal, opondo-se à posição defendida por Morales. Segundo o presidente, a maior autonomia favoreceria somente àqueles que ele chama “oligarcas”. Santa Cruz, Tarija, Pando e Beni, que teriam escolhido uma maior independência, são regiões ricas em recursos minerais. A Bolívia já passou por mudanças radicais desde janeiro passado, quando Morales venceu as eleições. “Queremos dar um exemplo para a América Latina com a participação popular”, disse Morales. “Isso é o que é histórico no dia de hoje”. Mais de cem observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Européia foram enviados ao país para acompanhar as votações e apurações, realizadas em mais de 23 mil seções eleitorais. “Estamos recebendo relatórios favoráveis de todo o país”, disse Horácio Serpa, um dos observadores da OEA. Depois de sua posse, Morales já nacionalizou as empresas de gás e petróleo no país, iniciou um processo de distribuição de terra, cortou salários dos funcionários públicos e declarou querer promover o uso legal das folhas de coca. Entre as afetadas pela nacionalização está a empresa brasileira Petrobras, que passou a ter o governo boliviano como acionista majoritário de suas refinarias. A coca, matéria-bruta da cocaína, é amplamente utilizada na cultura boliviana em cerimônias ritualísticas e também com fins médicos. Segundo o correspondente da BBC na Bolívia David Schweimler, Morales não parece disposto a diminuir o passo das reformas. Os tópicos mais importantes a serem tratados são o de um maior controle do Estado sobre a economia, maior participação das populações indígenas e maior transparência em um sistema político seriamente afetado pela corrupção. A constituinte recém-eleita deve se reunir a partir de agosto para refazer a carta de leis boliviana. Mudança Morales chegou ao poder na Bolívia depois de dois anos de muita tensão, em que os dois últimos governos foram alvo de protestos populares. Sendo ele mesmo originário de uma tribo indígena, durante sua campanha, Morales prometeu dar uma maior fatia da riqueza do país aos povos indígenas e acabar com a corrupção endêmica. Sua proximidade com o presidente venezuelano Hugo Chávez e com o governo cubano de Fidel Castro fizeram as preocupações internas e externas de opositores crescerem - inclusive por parte do governo norte-americano. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Bolívia anuncia nacionalização de 6 'empresas-chave'19 de junho, 2006 | Notícias Amorim pede que reforma agrária na Bolívia poupe brasileiros23 maio, 2006 | BBC Report Medidas da Bolívia ameaçam política externa do Brasil, diz 'FT'15 maio, 2006 | BBC Report Crise gerou 'muita fumaça e pouco fogo', diz Lula13 maio, 2006 | BBC Report Lula nega acusação de conta secreta no exterior13 maio, 2006 | BBC Report | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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