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Atualizado às: 09 de maio, 2006 - 09h33 GMT (06h33 Brasília)
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Missão brasileira vai à Bolívia negociar preço de gás
Evo Morales em foto de arquivo
Morales denunciou "conspiração" contra o seu governo
Uma missão brasileira chega nesta quarta-feira à Bolívia para negociar com o governo de Evo Morales o preço do gás que o país vende ao Brasil.

Na segunda-feira, Morales disse que pretendia aumentar em 61,34% o preço do combustível importado pelo Brasil, como parte da sua recém-anunciada nacionalização das reservas e da infra-estrutura de exploração de gás no país.

Além do preço, a missão liderada pelo presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, e pelo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, deverá pressionar pela indenização dos investimentos feitos nas duas refinarias da Petrobras nacionalizadas por Morales.

O governo boliviano estabeleceu que negociará reajustes com cada empresa estrangeiras que atua no setor de gás no país - além da Petrobras, têm investimentos na Bolívia a espanhola Repsol e a francesa Total, entre outras.

Na segunda-feira, o governo boliviano nomeou diretores que assumirão o controle da Petrobras e outras quatro empresas estrangeiras cujas operações na Bolívia foram nacionalizadas na semana passada.

O presidente da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Jorge Alvarado, já havia anunciado que a partir desta semana o governo iria começar a reorganizar o setor energético de acordo com o decreto do presidente Evo Morales.

"Conspiração"

Ainda na segunda-feira, Morales denunciou uma "conspiração" contra o seu plano de nacionalizar os recursos energéticos do país.

"De fora querem conspirar contra o nosso governo, contra a democracia", disse o presidente em um discurso, feito no mesmo dia em que anunciou a nacionalização das terras na Bolívia.

"Não querem que nós, os índios, controlemos nossos hidrocarburos", disse Morales a uma platéia formada principalmente por camponeses.

O discurso também teve elogios ao líder cubano, Fidel Castro, e críticas aos Estados Unidos e às economias de mercado.

A denúncia de conspiração, sem dar nomes aos envolvidos, já havia sido feita no domingo em um festival rural de La Paz. Na ocasião, Morales disse que a oposição política havia se aliado a proprietários de terra e a "máfias internacionais que detêm meios de mídia" para proteger as companhias estrangeiras cujos lucros são ameaçados pela nacionalização.

Em visita a Buenos Aires, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, afirmou que a Bolívia tem soberania para controlar suas reservas, mas alertou para a possível crise de governabilidade daquele país, caso os contratos não sejam respeitados.

"Nós estamos firmemente empenhados para que o governo do presidente Evo Morales tenha êxito”, disse.

"Mas se as coisas se fazem de forma um pouco precipitada, ao arrepio da lei e desrespeitando os contratos, isso vai implicar, concretamente, que os investimentos podem não fluir mais para a Bolívia e que ela sofra uma crise de governabilidade que, evidentemente, o presidente Evo não merece”, afirmou.

O assessor presidencial disse que a Petrobras deverá ser indenizada pelas medidas anunciadas, mas acrescentou que se isso não ocorrer, a empresa apelará à Justiça internacional.

"Só se estará violando o contrato se a Petrobras não for indenizada, como está previsto", afirmou. Sem indenização, entende, aí sim seria uma "expropriação" e não "nacionalização" dos hidrocarbonetos. A nacionalização, recordou, é um processo que já foi realizado por outros países.

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