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Missão brasileira vai à Bolívia negociar preço de gás | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma missão brasileira chega nesta quarta-feira à Bolívia para negociar com o governo de Evo Morales o preço do gás que o país vende ao Brasil. Na segunda-feira, Morales disse que pretendia aumentar em 61,34% o preço do combustível importado pelo Brasil, como parte da sua recém-anunciada nacionalização das reservas e da infra-estrutura de exploração de gás no país. Além do preço, a missão liderada pelo presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, e pelo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, deverá pressionar pela indenização dos investimentos feitos nas duas refinarias da Petrobras nacionalizadas por Morales. O governo boliviano estabeleceu que negociará reajustes com cada empresa estrangeiras que atua no setor de gás no país - além da Petrobras, têm investimentos na Bolívia a espanhola Repsol e a francesa Total, entre outras. Na segunda-feira, o governo boliviano nomeou diretores que assumirão o controle da Petrobras e outras quatro empresas estrangeiras cujas operações na Bolívia foram nacionalizadas na semana passada. O presidente da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Jorge Alvarado, já havia anunciado que a partir desta semana o governo iria começar a reorganizar o setor energético de acordo com o decreto do presidente Evo Morales. "Conspiração" Ainda na segunda-feira, Morales denunciou uma "conspiração" contra o seu plano de nacionalizar os recursos energéticos do país. "De fora querem conspirar contra o nosso governo, contra a democracia", disse o presidente em um discurso, feito no mesmo dia em que anunciou a nacionalização das terras na Bolívia. "Não querem que nós, os índios, controlemos nossos hidrocarburos", disse Morales a uma platéia formada principalmente por camponeses. O discurso também teve elogios ao líder cubano, Fidel Castro, e críticas aos Estados Unidos e às economias de mercado. A denúncia de conspiração, sem dar nomes aos envolvidos, já havia sido feita no domingo em um festival rural de La Paz. Na ocasião, Morales disse que a oposição política havia se aliado a proprietários de terra e a "máfias internacionais que detêm meios de mídia" para proteger as companhias estrangeiras cujos lucros são ameaçados pela nacionalização. Em visita a Buenos Aires, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, afirmou que a Bolívia tem soberania para controlar suas reservas, mas alertou para a possível crise de governabilidade daquele país, caso os contratos não sejam respeitados. "Nós estamos firmemente empenhados para que o governo do presidente Evo Morales tenha êxito”, disse. "Mas se as coisas se fazem de forma um pouco precipitada, ao arrepio da lei e desrespeitando os contratos, isso vai implicar, concretamente, que os investimentos podem não fluir mais para a Bolívia e que ela sofra uma crise de governabilidade que, evidentemente, o presidente Evo não merece”, afirmou. O assessor presidencial disse que a Petrobras deverá ser indenizada pelas medidas anunciadas, mas acrescentou que se isso não ocorrer, a empresa apelará à Justiça internacional. "Só se estará violando o contrato se a Petrobras não for indenizada, como está previsto", afirmou. Sem indenização, entende, aí sim seria uma "expropriação" e não "nacionalização" dos hidrocarbonetos. A nacionalização, recordou, é um processo que já foi realizado por outros países. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Espanha 'respeita' nacionalização boliviana06 de maio, 2006 | Notícias Lula, Kirchner e Chávez concordam em apoiar Bolívia04 de maio, 2006 | Notícias Brasil e Argentina devem pagar mais por gás, diz Morales04 de maio, 2006 | Notícias Chávez se reúne com Morales na Bolívia04 de maio, 2006 | Notícias Morales e Chávez anunciam 'aliança estratégica'04 de maio, 2006 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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