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Oposição do Nepal cancela protestos contra o rei | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os principais partidos de oposição no Nepal anunciaram nesta terça-feira o fim de semanas de protestos contra o rei Gyanendra depois que o monarca concordou em restaurar o Parlamento. A volta do Poder Legislativo era a principal reivindicação em manifestações realizadas diariamente por 19 dias, além de uma greve que praticamente paralisou a economia do pequeno país situado no Himalaia. Um porta-voz da aliança oposicionista, Krisna Prasad Situala, composta por sete partidos, disse que eles decidiram "suspender a greve geral e os protestos". Estava prevista para esta terça uma grande demonstração, na qual a oposição esperava reunir centenas de milhares de pessoas. O movimento rebelde maoísta, no entanto, rejeitou o anúncio do monarca e acusou a oposição de traição, segundo informações da agência de notícias Associated Press. "Primeiro passo" Em uma declaração enviada por email a jornalistas, o líder maoísta Prachanda diz que a oferta de Gyanendra é uma "conspiração para proteger o regime" e promete continuar com os bloqueios de estradas, que levaram a uma crise de abastecimento de comida e combustível em Katmandu, a capital do Nepal. O rei Gyanendra havia dissolvido o Poder Legislativo em maio de 2002 e assumido o poder total no país em fevereiro de 2005, alegando que os partidos políticos eram incapazes de combater os rebeldes maoístas. As manifestações deixaram ao menos 14 mortos. No seu pronunciamento, o rei "expressou seus pêsames por todos os que perderam as suas vidas". As forças de segurança leais ao monarca foram criticadas pela ONU pela brutalidade na repressão aos protestos. Além de pedir a restauração do Parlamento, dissolvido em maio de 2002, a oposição também reivindicava a revisão da Constituição, que atualmente dá ao rei poderes totais sobre o Exército e sobre o governo. O líder do Partido Comunista nepalês, Madhav Kumar, disse à BBC, no entanto, que a formação do novo governo seria "o primeiro passo para uma assembléia constituinte" – que, segundo o correspondente da BBC Sanjoy Majumder, pode definir o futuro da monarquia no país. "A primeira tarefa do novo Parlamento será passar uma resolução para dialogar com os maoístas e convocar uma assembléia constituinte". O anúncio de Gyanendra de que restauraria a Câmara baixa do Parlamento nesta sexta-feira foi comemorado nas ruas pela população na segunda-feira à noite. "Isso é a vitória do povo! Vida longa à democracia!", gritavam multidões em Katmandu, a capital do Nepal. Proposta Na semana passada, o rei já havia pedido aos partidos de oposição que indicassem um primeiro-ministro para que o país retornasse à monarquia constitucional. O governo americano elogiou a decisão do rei e defendeu que ele agora considere assumir um "papel cerimonial" no país. O pronunciamento do monarca foi feito horas depois de os Estados Unidos anunciarem que retirariam do Nepal todo o seu pessoal diplomático que não fosse considerado essencial. Mais de 13 mil pessoas morreram em dez anos de conflito entre forças do governo e rebeldes maoístas, que querem derrubar a monarquia e instituir uma república comunista no país. Houve uma escalada da violência desde janeiro, quando os rebeldes encerraram um cessar-fogo. No último mês, porém, os maoístas declararam uma nova trégua dentro de Katmandu e nos arredores da cidade por causa dos protestos contra o rei. As autoridades do Nepal impuseram uma série de toques de recolher para conter os protestos, mas as proibições foram sucessivamente ignoradas pelos manifestantes. |
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