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Atualizado às: 21 de abril, 2006 - 11h59 GMT (08h59 Brasília)
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Milhares voltam às ruas no Nepal apesar de toque de recolher
Policiais patrulham as ruas de Katmandu
Manifestantes se concentram em torno do cerco imposto pela polícia
Milhares de pessoas voltaram às ruas de Katmandu, a capital do Nepal, nesta sexta-feira para protestar contra o rei do país, apesar de um toque de recolher que dá poderes à polícia de atirar em quem descumprir a proibição.

Manifestantes destruíram um posto de controle no mesmo local onde a polícia abriu fogo e matou três pessoas na quinta-feira. Uma outra pessoa, que estava entre as dezenas que haviam ficado feridas, morreu dos seus ferimentos nesta sexta, segundo a agência de notícias Associated Press.

A revolta no posto de controle começou quando correu pela multidão a notícia de que um dos manifestantes mortos havia sido cremado na presença de apenas um membro da família.

As mortes de quinta-feira elevam para 14 o número de mortos nos protestos contra o rei Gyanendra que tomam conta do país há duas semanas.

A ONU condenou as forças de segurança do Nepal por "uso excessivo de força" e por fazer disparos indiscriminados" contra pelo menos 100 mil manifestantes.

Os manifestantes pedem que o rei Gyanendra entregue o poder e restitua a ordem democrática no país. O monarca assumiu o governo de forma absoluta em fevereiro no ano passado, alegando que o regime de exceção era necessário para acabar com o movimento rebelde de inspiração maoísta no país.

Trata-se do segundo dia consecutivo em que as autoridades Nepal restringem o horário de circulação - desta vez de 9h às 20h do horário local. Assim como na quinta-feira, Katmandu está cercada por barreiras e forças de segurança que tentam manter a cidade isolada.

No entanto, o correspondente da BBC Nick Bryant diz que pelo menos em Kalanki, onde os manifestantes foram mortos na quinta-feira, os policiais parecem impressionados com a quantidade de pessoas.

Outras demonstrações menores estão ocorrendo dentro da área selada.

"Tantas pessoas saíram às ruas apesar do toque de recolher e da repressão. É uma indicação de que o nosso movimento foi bem sucedido. Nós vamos continuar até que o resultado favoreça o povo do Nepal", disse o líder do Congresso nepalês, Krishna Prasad Sitaula, à agência Reuters.

A cremação que gerou revolta foi a do manifestante Basu Ghimire. Os seus pais não puderam chegar a tempo para a cerimônia porque moram fora de Katmandu e a esposa dele se recusou a ir sem os sogros. Só o cunhado acabou presenciando a cremação.

"Isso apenas mostra o quão insensível o nosso governo é", disse Geeta Shahi, que estava na cerimônia. "Tenho certeza de que esta cremação foi realizada sob ordens diretas do rei."

O rei Gyanendra ofereceu a realização de eleições até abril de 2007, mas os manifestantes exigem que ele entregue o poder imediatamente.

O governo acusa os rebeldes maoístas de se infiltrarem nos protestos para incitar a violência.

Tropa de choque no NepalProtestos
Manifestantes e polícia entram em choque no Nepal; veja fotos.
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