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Protestos contra o rei no Nepal entram no 18º dia | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Milhares de pessoas foram às ruas neste domingo no Nepal para protestar pelo 18º dia consecutivo contra a monarquia absoluta do rei Gyanendra. Em Katmandu, cerca de 10 mil manifestantes voltaram a desafiar um toque de recolher imposto pelas autoridades e tentar chegar ao centro da capital nepalesa, onde fica o palácio real. Os policiais dispararam bolas de borracha tentando manter os manifestantes fora do anel de segurança montado em torno da cidade. Pelo menos 27 pessoas ficaram feridas. No sábado, cerca de 300 mil pessoas conseguiram protestar dentro da capital pela primeira vez e chegaram a um quilômetro do palácio antes de serem obrigadas a recuar pela polícia. Neste domingo, forças de segurança colocaram cercas de arame farpado para bloquear o acesso ao centro da cidade. O governo também cortou a rede de telefonia celular, repetindo uma prática adotada em épocas de crise. Pelo menos 14 pessoas morreram e centenas de pessoas ficaram feridas nas manifestações contra o rei. Oposição e maoístas Os protestos continuam apesar das declarações do rei Gyanendra de ele que está disposto a entregar o poder executivo e restaurar a democracia no país. Pressionado, o monarca foi à televisão na sexta-feira e ofereceu à oposição a formação de um governo interino em que ele continuaria como rei, mas os oposicionistas rejeitaram a proposta. Membros do movimento rebelde maoísta no Nepal também rejeitaram a proposta, que definiram como "uma amostra de arrogância feudal e um insulto ao grande mar humano que tomou as ruas". Os líderes da oposição convocaram para terça-feira uma grande demonstração em massa e disseram que o rei será derrubado em dias. A oposição alega que o rei não abordou algumas de suas reivindicações mais básicas, como a criação de uma assembléia constituinte para decidir o futuro da monarquia. Eles também defendem mudanças na Consitituição para limitar o poder do monarca e tirar dele o poder sobre as Forças Armadas. A reivindicação é feita há anos pelos rebeldes maoístas, que forjaram uma espécie de aliança de conveniência com a oposição no ano passado. Gyanendra dissolveu o governo e assumiu poderes aboslutos em fevereiro do ano passado, alegando que o regime de exceção era necessário para reprimior a revolta maoísta, que já dura dez anos. Os protestos começaram no dia 6 de abril com pedidos para o rei abrir mão dos poderes totais, mas hoje pelo menos parte dos manifestantes quer a abolição total da monarquia. "Nós vamos queimar a coroa e governar o país", gritava um grupo de manifestantes. "Gyanendra, ladrão, deixe o país." No entanto, as manifestações deste domingo foram em geral mais calmas do que nos últimos dias. O correspondente da BBC em Katmandu, Nick Bryant, diz que algumas pessoas até batem papo com os policiais que estão patrulhando as ruas. "Nós estamos muito cansados", disse Umesh Ptradai, de 21 anos, à agência de notícias Reuters. Além dos protestos de rua, continua no Nepal uma greve geral que atingiu grandes partes do país e virtualmente paralisou sua economia. |
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