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Atualizado às: 02 de março, 2006 - 20h42 GMT (17h42 Brasília)
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Índia e Estados Unidos finalizam acordo nuclear
George W. Bush e Manmohan Singh
Após reunião com Singh, Bush disse que acordo é "histórico"
Os Estados Unidos e a Índia finalizaram nesta quinta-feira um acordo sobre energia nuclear durante a visita do presidente George W. Bush a Nova Déli.

Pelo acordo, a Índia ganha acesso à tecnologia nuclear civil americana. O documento ainda precisa ser aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos.

Após negociações com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, Bush classificou o acordo com a Índia de “histórico”, mas disse que sua aprovação pelo Congresso talvez seja difícil.

A Índia não é signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NPT, na sigla em inglês).

Segundo o correspondente da BBC em Nova Déli, Sanjoy Majumder, o acordo poderá terminar com anos de isolamento da Índia sobre sua política nuclear.

Mas críticos dizem que ele envia uma mensagem equivocada para países como o Irã, cujo programa nuclear é combatido fortemente pelos Estados Unidos.

Protestos

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Partidos comunistas e grupos muçulmanos do país são contra a visita de Bush e têm promovido protestos, mas correspondentes da BBC dizem que muitos indianos estão recebendo bem o presidente americano.

Depois da Índia, Bush vai visitar o Paquistão, onde chega no sábado. A visita foi confirmada apesar da explosão de uma bomba que matou um diplomata americano e ao menos outras três pessoas perto do consulado dos Estados Unidos em Karachi.

Rival histórico da Índia, o Paquistão disse que também deseja um acordo similar com os Estados Unidos. “O Paquistão acredita que também temos um pedido, uma expectativa de cooperação internacional sob salvaguardas para geração de energia nuclear”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão.

Tanto a Índia quanto o Paquistão possuem bombas atômicas.

O acordo nuclear anunciado por Bush e Singh foi alvo de críticas tanto de opositores democratas quanto de republicanos. Para o deputado democrata Ed Markey, o acordo é um desastre e prejudica os esforços para conter as ambições nucleares de outros países, como o Irã, a Coréia do Norte e o próprio Paquistão.

Para o deputado republicano Ed Royce, o Congresso terá que analisar com cuidado as implicações do acordo.

Cooperação econômica

O acordo nuclear havia sido fechado a princípio durante uma visita do primeiro-ministro indiano a Washington, em 2005.

Mas a finalização do acordo foi adiada devido à diferença nos planos para separar os programas nucleares civil e militar da Índia e a abertura de suas instalações nucleares para inspetores internacionais.

“Esse é um acordo necessário”, disse Bush após o encontro com Singh. “É um acordo que ajudará nossos dois povos. O Congresso precisa entender que é do nosso interesse econômico que a Índia tenha uma indústria de energia nuclear civil para ajudar a tirar a pressão da demanda global por energia.”

A França, que assinou um acordo semelhante com a Índia no mês passado, disse que o novo acordo ajudará a combater o aquecimento global e os esforços pela não-proliferação.

O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, elogiou o acordo, classificando a Índia de “um importante parceiro no regime de não-proliferação”.

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