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Líderes xiitas e sunitas pedem moderação | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Líderes xiitas e sunitas no Iraque e no exterior usaram as orações de sexta-feira para pedir calma em meio às tensões criadas pelo ataque que praticamente destruiu o santuário de al-Askari, em Samarra, considerado um dos locais mais sagrados para os muçulmanos xiitas. Os clérigos fizeram apelos para unidade e moderação, apesar da presença reduzida dos fiéis nas mesquitas de Bagdá e das três províncias em que foi imposto o toque de recolher nesta sexta-feira. As ruas de Bagdá ficaram quase desertas com o toque de recolher, que proibiu o uso de veículos e continuará até o final da tarde do sábado. Ao menos 130 pessoas – em sua maioria sunitas – morreram desde o ataque ao santuário na última quarta-feira. Episódios de violência O toque de recolher, que atingiu a capital e as províncias de Diyala, Babil e Salahuddine, começou na noite de quinta-feira e todas as folgas de policiais e soldados do Exército foram canceladas. Centenas de policiais estão trabalhando em pontos de controle e impedindo a entrada de motoristas que tentam cruzar a cidade. Mas os moradores de Bagdá estão tendo permissão para andar às mesquitas em seus próprios bairros. Muitos iraquianos não têm conhecimento sobre o toque de recolher, que foi anunciado somente à meia-noite – numa clara indicação de que essa foi uma medida de pânico tomada por um governo que se esforça para controlar a situação, segundo o correspondente da BBC em Bagdá. Apesar do toque de recolher, alguns episódios de violência voltaram a ocorrer nesta sexta-feira. Em Latifiya, ao sul de Bagdá, ao menos três xiitas foram mortos por atiradores que invadiram suas casas. Ao menos doze corpos foram encontrados nas ruas de Bagdá durante a madrugada. No norte do Iraque, um suposto líder da rede Al Qaeda foi morto por soldados dos Estados Unidos. Um comunicado militar descreveu o homem – conhecido como Abu Anas ou Akram Mahmud al-Mushhadani – como um especialista em explosivos com ligações próximas com fabricantes de carros-bomba em Bagdá. Um porta-voz do presidente iraquiano, Jalal Talabani, disse que o governo estava unido em pedir aos cidadãos que mantenham a calma. “Tudo cairá por terra se tivermos uma guerra civil, então não acredito que possa haver uma guerra-civil total”, disse o porta-voz, Hiwa Osman, à rádio 4 da BBC. “Pode haver alguns poucos incidentes aqui e ali, mas o governo está agora trabalhando muito duro, com as forças multinacionais, para controlar esta situação.” Um importante imã sunita, Hasan al-Taha, criticou o ataque ao santuário xiita em seu sermão de sexta-feira na mesquita de Abu Hanifa, em Bagdá. A Associação de Sábios Muçulmanos – a maior autoridade religiosa sunita – disse que ao menos 168 mesquitas sunitas foram atacadas em todo o país desde o atentado de quarta-feira. Protesto sunita O correspondente da BBC em Bagdá, Jon Brain, disse que a violência tem sido chocante até mesmo para os padrões iraquianos. No pior incidente até agora, 47 trabalhadores de uma fábrica foram mortos e os seus corpos abandonados fora da capital. A aliança sunita anunciou que está se retirando das negociações para formar um governo de coalizão - o que poderá ter amplas conseqüências, segundo o correspondente da BBC. Dezenas de mesquitas sunitas foram alvo de ataque desde que a cúpula dourada do templo em Samarra foi destruída na quarta-feira. A principal autoridade religiosa sunita - a Associação dos Clérigos Muçulmanos - acusou o mais importante líder xiita, o aiatolá Ali al-Sistani, de fomentar a violência. Al-Sistani fez um apelo para que os xiitas não atacassem as mesquitas sunitas, mas um porta-voz do clérigo disse que a ira pode ser difícil de controlar. Na quinta-feira, o clérigo radical Moqtada Sadr também pediu calma aos manifestantes. "A ocupação está semeando a raiva entre nós", afirmou. "Não permita que isso enfraqueça a sua determinação, unidade e solidariedade", disse Sadr. Entre as vítimas dos confrontos está uma repórter da TV al-Arabiya e duas pessoas que trabalhavam com ela. Eles foram seqüestrados e mortos depois de terem ido cobrir o ataque ao templo xiita. |
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