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Atualizado às: 15 de fevereiro, 2006 - 17h54 GMT (15h54 Brasília)
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Governo do Haiti bloqueia resultado da eleição até fim de inquérito
Homem pula barricada em Porto Príncipe
Manifestantes alegam que as autoridades eleitorais do Haiti fraudaram resultados
O governo interino do Haiti proibiu a publicação do resultado da eleição presidencial no país, realizada na semana passada, até que um inquérito sobre as supostas fraudes no pleito seja concluído.

Michel Brunach, assessor do presidente interino, espera que a investigação termine em três dias.

O inquérito seria feito por membros do governo, do Conselho Eleitoral Provisório (CEP) e do partido Lespwa, do candidato René Préval, que lidera a disputa presidencial.

"O governo assumirá o papel de árbitro nessa comissão", disse Brunach à agência de notícias AFP.

Fraude

Préval, que já foi presidente do Haiti entre 1996 e 2000, acusou as autoridades eleitorais de cometer fraudes para impedir a sua vitória no primeiro turno.

Os últimos dados divulgados pelo CEP indicam que, com 90% dos votos apurados, Préval tem 48,76% dos votos - o candidato precisaria de 50% mais um para evitar o segundo turno. Desde segunda-feira, não foram anunciados novos resultados das apurações.

Desde que os resultados começaram a indicar a possibilidade de um segundo turno, milhares de eleitores de Préval têm saído às ruas para exigir que ele seja declarado vitorioso, em demonstrações que terminaram com pelo menos duas pessoas mortas.

O candidato, um ex-aliado do presidente deposto Jean Bertrand Aristide, pediu para que seus partidários continuem os protestos, mas de forma pacífica.

Proibição

O governo interino do Haiti proibiu a publicação dos resultados finais da eleição até que a investigação sobre a suposta fraude esteja completa.

Imagens transmitidas por canais de televisão locais mostraram o que parecia ser centenas de cédulas de votação carbonizadas em um depósito de lixo na capital, Porto Príncipe.

Muitas as cédulas pareciam estar marcadas com o nome de Préval, o que gerou mais protestos de seus partidários que estavam no local.

A multidão marchou pelas ruas da cidade, gritando o nome de Préval e alegando que havia ocorrido fraude.

Uma autoridade eleitoral do país disse à agência de notícias Reuters que haveria uma investigação a respeito das cédulas jogadas fora, que é um fato "inaceitável".

Segundo um porta-voz da ONU as cédulas podem ter vindo de qualquer uma das nove zonas eleitorais saqueadas no dia da votação.

O porta-voz da Minustah, a força de paz da ONU no Haiti, David Wimhurst disse que as cédulas podem ter sido colocadas no depósito de lixo para sugerir que uma fraude ocorreu na eleição, segundo relatos da agência de notícias Associated Press.

Prêmio Nobel retirado

A violência dos últimos dias provocou o cancelamento dos vôos comerciais no Haiti e o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, teve de deixar o país em um helicóptero militar americano.

Tutu, que ficou conhecido pela sua luta contra o apartheid, passou quatro dias em Porto Príncipe tentando promover a reconciliação nacional, mas resolveu abreviar a sua visita depois que os protestos se tornaram violentos.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, viajou ao Haiti para discutir a instabilidade pós-eleições com líderes políticos e membros da comissão eleitoral.

Na terça-feira, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade a renovação do mandato da força de paz no Haiti (Minustah) pelos próximos seis meses.

Ao final da reunião, o atual presidente do CS, o embaixador americano John Bolton, leu uma declaração endereçada aos haitianos.

O texto pede que "todas as partes mantenham a calma à medida em que os resultados finais da eleição sejam certificados".

"Os membros do Conselho expressam sua expectativa de que a contagem dos votos e os próximos passos do processo eleitoral continuarão a ser transparentes e seguirão os padrões internacionais."

Os resultados anunciados com base em 90% dos votos contados indicam que o ex-presidente Leslie Manigat, com 11,83%, e Charles Henri Baker, com 7,93%.

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