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Haiti vive falsa calma durante eleições, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A diminuição da violência no Haiti nos últimos dias pode ser ilusória, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil. "O Haiti vive uma falsa calma", diz o analista Claude Beauboeuf, referindo-se ao fato de o número de seqüestros e outros crimes ter caído no período eleitoral. As autoridades eleitorais atribuem a relativa paz a um forte esquema de segurança montado pela ONU para as eleições, mas analistas acreditam que a melhora da situação se deva também a uma trégua informal por parte das gangues armadas que apoiam o candidato René Préval, considerado favorito nas eleições presidenciais desta terça-feira. Um jornalista haitiano que esteve em Cité Soleil, a favela mais violenta de Porto Príncipe, disse que os líderes das gangues "não podem esperar" até as eleições, indicando que eles não estão tentando obstruir a votação porque têm interesse na vitória de Préval. Outro analista, Kisner Fharel, também diz estranhar a calmaria em um país cuja tradição é ter violência nas eleições. "Está muito pacífico para ser verdade", disse Fharel. Esquema ostensivo O secretário-geral do Centro para a Livre Iniciativa e Democracia, Lionel Delatour, ressalta, porém, o esquema ostensivo montado pelas tropas da ONU em conjunto com a polícia nacional merece crédito pela redução da violência. Além disso, argumenta Delatour, há gangues simplesmente criminosas e outras politicamente motivadas. Esses grupos, diz ele, podem estar sinceramente dando uma chance à democracia simplesmente porque têm mais afinidade ideológica com Préval. Segundo o analista, toda a sociedade haitiana sente uma "fadiga" de um processo de transição fracassado da ditadura de François e Jean-Claude Duvalier (pai e filho que governaram o país com mão de ferro de 1957 a 1986) para a democracia. René Préval, que governou o país entre 1996 e 2000, inicialmente ganhou força na política haitiana com o apadrinhamento do ex-presidente Jean Bertrand Aristide, cuja destituição em 2004 deu início à atual crise que o Haiti atravessa. Nesta campanha, Préval concorreu pelo partido Lespwa (esperança, em crioulo, uma das línguas oficiais do Haiti, além do francês), em vez do Lavalas, de Aristide, e, pelo menos em declarações públicas tem tentado se distanciar do ex-presidente. Atualmente exilado na África do Sul, Aristide é tido como o principal responsável pelo armamento das gangues de Porto Príncipe. Analistas acreditam que esses grupos apoiam Préval porque acreditam que ele permitirá a volta de Aristide ao país. O próprio candidato, no entanto, diz simplesmente que não tem como impedir a volta do ex-presidente. "A Constituição diz que não é preciso visto para deixar ou entrar no país. É ele (Aristide) que deve decidir", disse em entrevista à BBC. |
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