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Ministro libanês renuncia após ataques em Beirute | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro do Interior do Líbano, Hassan Sabeh, renunciou ao cargo depois que a embaixada da Dinamarca no país foi atacada e incendiada neste domingo em protesto de muçulmanos contra a publicação de charges do profeta Maomé (ou Mohammed) em jornais europeus. "Coloquei meu cargo à disposição”, disse o ministro após uma reunião de governo. A polícia do país inicialmente conseguiu conter os manifestantes com o uso de gás lacrimogêneo, mas depois foi vencida pela multidão, que saqueou o prédio antes de incendiá-lo. A embaixada estava vazia no momento do ataque, mas vários manifestantes e policiais acabaram feridos durante o tumulto. Pelo menos 170 pessoas foram presas devido ao incidente. O governo libanês condenou os ataques, mas o governo dinamarquês pediu aos cidadãos do país que deixassem o Líbano o mais rápido possível. Síria O protesto em Beirute é o último de uma série nos últimos dias contra as charges, publicadas originalmente por um jornal dinamarquês em setembro. No Afeganistão, milhares de pessoas participaram de protestos em todo o país. Em Mihtarlam, na província de Laghman, a polícia disparou para o alto para dispersar os manifestantes. No sábado, as embaixadas da Dinamarca e da Noruega em Damasco, na Síria, também haviam sido atacadas por manifestantes. O edifício onde estava a representação dinamarquesa, incendiado, também abrigava as embaixadas da Suécia e do Chile. Os governos da Dinamarca e da Noruega condenaram os ataques às suas embaixadas na Síria e recomendaram que todos os seus cidadãos deixassem o país. Paras as duas nações européias, a inação das autoridades sírias permitiu que os ataques acontecessem. Prisão Também no sábado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que o governo do país vai considerar se cortará relações comerciais com países de jornais que publicaram as charges. As charges apareceram inicialmente no jornal dinamarquês Jyllands-Posten em setembro e foram posteriormente republicadas por jornais de países como Alemanha, Itália, Holanda e Espanha – todos dizendo estar exercendo seu direito à livre expressão. O editor de um jornal jordaniano que republicou as charges que ofenderam muitos muçulmanos foi preso no sábado. Jihad Momani já havia sido demitido na sexta-feira e foi acusado de insulto religioso de acordo com a lei de imprensa do país. O jornal em que Momani trabalhava, Shihan, publicou três das charges e um editorial que questionava se os protestos realizados por muçulmanos era justificado. "Muçulmanos do mundo todo, sejam razoáveis", escreveu Momani. "O que traz mais preconceito contra o Islã, essas charges ou fotografias de seqüestradores cortando a garganta de um refém ou um homem-bomba que se explode durante uma cerimônia de casamento em Amã?". Em carta de desculpas após sua demissão, Momani disse que não tinha a intenção de ofender ninguém. Críticas Ainda no sábado, o Vaticano criticou a publicação das charges. Por meio de seu porta-voz, Joaquin Navarro-Vals, disse que o direito à liberdade de expressão não implica no direito de ofender crenças religiosas. "É necessário ter respeito mútuo se os países querem viver em paz." Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha também criticaram os jornais europeus que republicaram as charges. Em Washington, o Departamento de Estado Americano descreveu os desenhos como ofensivos e acrescentou que não é aceitável incitar ódio étnico ou religioso. O ministro das Relações Exteriores britânico, Jack Straw, disse que a liberdade de expressão não confere um comprometimento com o insulto. |
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