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Atualizado às: 02 de fevereiro, 2006 - 20h44 GMT (18h44 Brasília)
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Dinamarca pede desculpa por charge de Maomé
Sírios vêem entrevista de Rasmussen em Damasco
Sírios vêem entrevista de Rasmussen em Damasco
O primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, deu entrevista à rede de TV árabe al-Arabiya, numa tentativa de conter os protestos no mundo islâmico contra seu país iniciados após a publicação num diário dinamarquês de caricaturas associando Maomé ao terrorismo.

Rasmussen novamente pediu desculpas aos que se sentiram ofendidos, mas repetiu que seu governo não é responsável pelo que é publicado nos jornais.

"Fiz um forte apelo a todos na Dinamarca para que, embora esta disputa possa alimentar sentimentos intensos, todos assumam a responsabilidade para assegurar cooperação pacífica na Dinamarca", declarou o primeiro-ministro.

Novos protestos devem ocorrer nesta sexta-feira em vários países.

Grupos egípcios, palestinos e iraquianos convocaram manifestações durante as orações dos muçulmanos nesta sexta-feira.

O grupo militante palestino Hamas convocou uma grande manifestação contra as charges em Gaza.

Críticas

Os governos de vários países cuja população é de maioria islâmica criticaram nesta quinta-feira a republicação, por jornais da França, Espanha, Itália e Alemanha, das charges considerada ofensivas ao profeta fundador do islamismo.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, advertiu que a decisão de alguns jornais de publicar as charges pode "encorajar terroristas".

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, qualificou as imagens como um insulto aos muçulmanos do mundo.

O governo da Indonésia disse que a liberdade de expressão não deveria ser um pretexto para insultar uma religião.

Uma das charges que estão motivando os protestos mostra Maomé usando um turbante em forma de bomba.

Passeata

Centenas de estudantes saíram em passeata pelas ruas das cidades paquistanesas de Lahore e Multan, queimando bandeiras e retratos do primeiro-ministro da Dinamarca.

Nos mais recentes protestos, palestinos armados cercaram brevemente o escritório da União Européia na Cidade de Gaza.

A Noruega fechou sua missão na Cisjordânia para o público em resposta a ameaças de dois grupos militantes contra noruegueses, franceses e dinamarqueses.

Vários consumidores muçulmanos continuam a boicotar alguns produtos fabricados na Europa, levando o comissário da União Européia para o Comércio, Peter Mandelson, a acusar jornais que publicaram a charge na quarta-feira de jogar gasolina no fogo.

Um jornal na Jordânia, Al-Shihan, tornou-se a primeira publicação árabe a divulgar a charge, alegando que as pessoas precisam ver o contra o que estão protestando.

Na quarta-feira, o editor de um jornal francês que publicou a charge na primeira página foi demitido por “ofender os muçulmanos”.

Jacques Lefranc foi demitido pelo dono do France Soir, após seu jornal ter sido envolvido em uma crescente polêmica entre os muçulmanos e a imprensa européia.

Países islâmicos impuseram sanções contra a Dinamarca após um jornal dinamarquês ter sido o primeiro a publicar charges com a imagem de Maomé.

Outros jornais europeus republicaram as imagens para mostrar apoio ao direito de livre expressão.

Charge nova

O France Soir publicou uma nova charge em sua primeira página mostrando figuras sagradas budistas, judaicas, muçulmanas e cristãs sentadas em uma nuvem, com a legenda: “Não se preocupe, Maomé, nós todos já viramos caricaturas aqui”.

Porém o dono do jornal, Raymond Lakah, disse em um comunicado à agência France Presse que decidiu “demitir Jacques Lefranc como diretor-geral da publicação como um poderoso sinal de respeito pelas crenças e convicções pessoais de todos os indivíduos”.

“Expressamos nossas desculpas à comunidade muçulmana e a todas as pessoas que ficaram chocadas com a publicação”, disse ele.

A tradição islâmica proíbe representações de Maomé ou de Alá (Deus).

Turbante-bomba

As charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten incluíam, além do desenho de Maomé usando o turbante com o formato de uma bomba, um que mostrava o profeta dizendo que o paraíso estava ficando sem virgens para os homens-bomba.

A Síria e a Arábia Saudita chamaram de volta seus embaixadores na Dinamarca, enquanto a gigante dinamarquesa-sueca de laticínios Arla Foods diz que suas vendas no Oriente Médio baixaram a zero por causa de um boicote a produtos dinamarqueses.

Também houve protestos e ameaças de morte em alguns países árabes.

Os escritórios do Jyllands-Posten tiveram que ser evacuados na terça-feira por causa de uma ameaça de bomba.

O jornal havia pedido desculpas no dia anterior por ofender os muçulmanos, apesar de ter afirmado que a lei dinamarquesa permitia a publicação das charges.

Bandeira dinamarquesa modificada por manifetanteCharge de Maomé
Muçulmanos protestam em vários países, veja.
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