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Atualizado às: 02 de fevereiro, 2006 - 08h45 GMT (06h45 Brasília)
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Charges de Maomé levam à demissão de editor de jornal
Iraquianos protestam contra caricaturas
Iraquianos protestam contra caricaturas publicadas na Dinamarca
O editor de um jornal francês que publicou uma charge com o profeta Maomé (ou Mohammed) usando um turbante em formato de bomba na primeira página foi demitido por “ofender os muçulmanos”.

Jacques Lefranc foi demitido pelo dono do France Soir, após seu jornal ter sido envolvido em uma crescente polêmica entre os muçulmanos e a imprensa européia.

Países islâmicos impuseram sanções contra a Dinamarca após um jornal dinamarquês ter sido o primeiro a publicar charges com a imagem de Maomé.

Outros jornais europeus republicaram as imagens para mostrar apoio ao direito de livre expressão.

Publicações na Alemanha, Itália, Holanda e Espanha republicaram as charges dinamarquesas.

Charge nova

O France Soir publicou uma nova charge em sua primeira página mostrando figuras sagradas budistas, judaicas, muçulmanas e cristãs sentadas em uma nuvem, com a legenda: “Não se preocupe, Maomé, nós todos já viramos caricaturas aqui”.

Porém o dono do jornal, Raymond Lakah, disse em um comunicado à agência France Presse que decidiu “demitir Jacques Lefranc como diretor-geral da publicação como um poderoso sinal de respeito pelas crenças e convicções pessoais de todos os indivíduos”.

“Expressamos nossas desculpas à comunidade muçulmana e a todas as pessoas que ficaram chocadas com a publicação”, disse ele.

A tradição islâmica proíbe representações de Maomé ou de Alá (Deus).

Turbante-bomba

As charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten incluíam, além do desenho de Maomé usando o turbante com o formato de uma bomba, uma que mostrava o profeta dizendo que o paraíso estava ficando sem virgens para os homens-bomba.

A Síria e a Arábia Saudita chamaram de volta seus embaixadores na Dinamarca, enquanto a gigante dinamarquesa-sueca de laticínios Arla Foods diz que suas vendas no Oriente Médio baixaram a zero por causa de um boicote a produtos dinamarqueses.

Também houve protestos e ameaças de morte em alguns países árabes.

Os escritórios do Jyllands-Posten tiveram que ser evacuados na terça-feira por causa de uma ameaça de bomba.

O jornal havia pedido desculpas no dia anterior por ofender os muçulmanos, apesar de ter afirmado que a lei dinamarquesa permitia a publicação das charges.

O primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, elogiou o pedido de desculpas do jornal, mas negou pedidos para punir a publicação, dizendo que o governo não pode censurar a imprensa.

A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras diz que a reação no mundo árabe “denuncia uma falta de compreensão” da liberdade de imprensa “como um feito essencial da democracia”.

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