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Países islâmicos fazem mais críticas a charge de Maomé | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os governos de vários países cuja população é de maioria islâmica criticaram nesta quinta-feira a publicação, por jornais europeus, de uma charge considerada ofensiva ao profeta Maomé. O presidente do Egito, Hosni Mubarak, advertiu que a decisão de alguns jornais de publicar as charges pode "encorajar terroristas". O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, qualificou as imagens como um insulto aos muçulmanos do mundo. O governo da Indonésia disse que a liberdade de expressão não deveria ser um pretexto para insultar uma religião. A charge que está motivando os protestos mostra Maomé usando um turbante em forma de bomba e foi publicada originalmente na Dinamarca. Passeata Centenas de estudantes saíram em passeata pelas ruas das cidades paquistanesas de Lahore e Multan, queimando bandeiras e retratos do primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen. Nos mais recentes protestos, palestinos armados cercaram brevemente o escritório da União Européia na Cidade de Gaza. A Noruega fechou sua missão na Cisjordânia para o público em resposta a ameaças de dois grupos militantes contra noruegueses, franceses e dinamarqueses. Vários consumidores muçulmanos continuam a boicotar alguns produtos fabricados na Europa, levando o comissário da União Européia para o Comércio, Peter Mandelson, a acusar jornais que publicaram a charge na quarta-feira de jogar gasolina no fogo. Um jornal na Jordânia, Al-Shihan, tornou-se a primeira publicação árabe a divulgar a charge, alegando que as pessoas precisam ver o contra o que estão protestando. Na quarta-feira, o editor de um jornal francês que publicou a charge na primeira página foi demitido por “ofender os muçulmanos”. Jacques Lefranc foi demitido pelo dono do France Soir, após seu jornal ter sido envolvido em uma crescente polêmica entre os muçulmanos e a imprensa européia. Países islâmicos impuseram sanções contra a Dinamarca após um jornal dinamarquês ter sido o primeiro a publicar charges com a imagem de Maomé. Outros jornais europeus republicaram as imagens para mostrar apoio ao direito de livre expressão. Publicações na Alemanha, Itália, Holanda e Espanha republicaram as charges dinamarquesas. Charge nova O France Soir publicou uma nova charge em sua primeira página mostrando figuras sagradas budistas, judaicas, muçulmanas e cristãs sentadas em uma nuvem, com a legenda: “Não se preocupe, Maomé, nós todos já viramos caricaturas aqui”. Porém o dono do jornal, Raymond Lakah, disse em um comunicado à agência France Presse que decidiu “demitir Jacques Lefranc como diretor-geral da publicação como um poderoso sinal de respeito pelas crenças e convicções pessoais de todos os indivíduos”. “Expressamos nossas desculpas à comunidade muçulmana e a todas as pessoas que ficaram chocadas com a publicação”, disse ele. A tradição islâmica proíbe representações de Maomé ou de Alá (Deus). Turbante-bomba As charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten incluíam, além do desenho de Maomé usando o turbante com o formato de uma bomba, um que mostrava o profeta dizendo que o paraíso estava ficando sem virgens para os homens-bomba. A Síria e a Arábia Saudita chamaram de volta seus embaixadores na Dinamarca, enquanto a gigante dinamarquesa-sueca de laticínios Arla Foods diz que suas vendas no Oriente Médio baixaram a zero por causa de um boicote a produtos dinamarqueses. Também houve protestos e ameaças de morte em alguns países árabes. Os escritórios do Jyllands-Posten tiveram que ser evacuados na terça-feira por causa de uma ameaça de bomba. O jornal havia pedido desculpas no dia anterior por ofender os muçulmanos, apesar de ter afirmado que a lei dinamarquesa permitia a publicação das charges. O primeiro-ministro dinamarquês elogiou o pedido de desculpas do jornal, mas negou pedidos para punir a publicação, dizendo que o governo não pode censurar a imprensa. A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras diz que a reação no mundo árabe “denuncia uma falta de compreensão” da liberdade de imprensa “como um feito essencial da democracia”. |
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