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Senado francês aprova extensão de estado de emergência | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Senado francês aprovou nesta quarta-feira a extensão das leis de emergência atualmente em vigor até fevereiro de 2006 para tentar conter os choques nas periferias das cidades do país. A prorrogação de três meses das leis de exceção foi apoiada por 202 senadores, enquanto que 125 votaram contra. A decisão da câmara alta endossa a da Assembléia Nacional, que na terça-feira aprovou o plano, em uma votação decidida por 346 votos a favor e 148 contra. As leis do estado de emergência permitem que autoridades locais imponham toques de recolher, realizem buscas em residências e proíbam reuniões em público. Estas leis datam da década de 50, época em que a França estava envolvida com a guerra de independência da Argélia. A oposição socialista criticou os planos de extensão do estado de emergência, afirmando que poucos governadores locais escolheram impor esta lei. Carros incendiados O governo afirma que ainda precisa de mais poderes para pôr fim a quase três semanas de choques nas periferias da França, a maioria destes locais habitados por uma população pobre ou de imigrantes. No período dos choques quase 9 mil carros foram queimados e cerca de 3 mil pessoas foram presas. A violência continuou por toda a França na noite de terça-feira, mas menos carros foram incendiados. Em todo o país 163 carros foram queimados, quase os mesmos números vistos antes da onda de choques começar. No ponto alto da violência nos subúrbios, mais de 1,4 mil veículos foram destruídos em uma única noite. O chefe da Polícia Nacional, Michel Gaudin, disse na terça-feira que a queda nos números mostrava que a França "estava voltando ao normal". Mas o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, disse ao Parlamento que "não podemos aceitar que mais de 200 carros sejam incendiados toda noite". Crise A violência se espalhou da periferia de Paris para outras cidades da França, na maioria das vezes atingindo áreas com altas concentrações de minorias étnicas. Moradores de conjuntos habitacionais, onde os índices de desemprego chegam a 40%, reclamam de racismo e de policiais agindo de forma brutal. Os choques começaram quando dois adolescentes, de origem do norte e oeste da África, foram eletrocutados em um subúrbio de Paris depois de fugir da polícia, acreditando que estavam sendo perseguidos. O ministro do Exterior da França, Philippe Douste-Blazy, disse à BBC que a França está passando por uma "crise muito profunda devido à crise de imigração e ao fracasso na integração (dos imigrantes à sociedade francesa)". Ele também destacou o problema do racismo. Poligamia Membros do partido de centro-direita do presidente Jacques Chirac sugeriram que a poligamia é um dos fatores que contribuíram para os choques, afirmando que filhos de famílias polígamas têm menos convivência com uma figura paterna e têm mais probabilidade de morar em lugares superlotados. "A poligamia faz com que as pessoas não tenham acesso à educação da forma que elas teriam em uma sociedade organizada. Dezenas de pessoas não podem viver juntas em um único apartamento", disse Bernard Accoyer, líder da União Para a Maioria Popular, na Câmara Baixa do Parlamento francês, segundo uma rádio da França. A poligamia é ilegal na França mas até 1993 imigrantes podiam trazer mais de uma esposa de seus países para viverem em território francês. |
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