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EUA e UE devem ter 'coragem' no comércio, diz Blair | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu à União Européia e aos Estados Unidos passos "corajosos" e "ambiciosos" para evitar um fracasso nas negociações comerciais que serão realizadas no encontro da OMC (Organização Mundial do Comércio) em Hong Kong, em dezembro. "Para quebrar o impasse, a União Européia e os Estados Unidos devem ir mais longe nas negociações da área agrícola", disse Blair em um discurso proferido nesta segunda-feira à noite durante um banquete na City, o coração financeiro de Londres. Blair disse que Washington e a UE precisam cortar subsídios que distorcem o comércio, definir uma data para eliminar subsídios às exportações e limitar o número de produtos sensíveis com proteção adicional. A redução dos subsídios beneficiaria países como Brasil e Índia, que integram o G-20, segundo o primeiro-ministro britânico. Liberalização O G-20 é o grupo liderado pelo Brasil que pressiona por cortes nos subsídios agrícolas dos países desenvolvidos. Citando novamente Brasil e Índia, Blair disse que esses e outros países em desenvolvimento deveriam em troca cortar tarifas industriais e liberalizar o setor de serviços. O tom adotado por Blair reflete sua frustração diante do lento progresso nas negociações para a liberalização do comércio internacional. Como atual presidente do G-8, grupo dos sete países mais industrializados e Rússia, o primeiro-ministro britânico teme que os acordos para reduzir as dívidas externas dos países pobres e dobrar a ajuda à África possam ser prejudicados caso as nações em desenvolvimento não ganhem maior acesso aos mercados do mundo desenvolvido. Lula envia carta O discurso de Blair foi elogiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enviou uma carta ao primeiro-ministro britânico. Lula reiterou a necessidade de os países desenvolvimos abrirem seus mercados no setor agrícola. "Concordo com sua avaliação segundo a qual foi a consciência em fazer com que o comércio traga benefícios efetivos para as populações mais pobres do mundo que impulsionou o lançamento da Rodada em meio à atmosfera sombria que se seguiu aos trágicos eventos de 11 de setembro", disse Lula a Tony Blair. "Os países ricos, de cuja população ativa, como bem assinala Vossa Excelência, menos de 2% estão empregados no campo, têm de abrir seus mercados agrícolas e eliminar subsídios distorcivos que impedem os países mais pobres de competir em igualdade de condições, portanto, de usufruir das riquezas geradas pelas novas tecnologias." O presidente brasileiro disse que, depois da oferta dos Estados Unidos para o setor, que Lula classificou de "importante, embora insuficiente", cabe agora aos europeus melhorarem sua proposta antes da reunião da OMC, em Hong Kong, em dezembro. "(...) É indispensável que a UE dê sinais claros de que está efetivamente disposta a abrir seus mercados e reduzir os subsídios internos que hoje são, de longe, os maiores do mundo." Lula afirmou ainda que os países em desenvolvimento também assumirão compromissos nas negociações em curso. "Estou certo de que os países em desenvolvimento não deixarão de fazer sua parte em prol do nosso objetivo comum de fortalecer o sistema multilateral e tornar o comércio mais livre e mais justo, respeitados os critérios de proporcionalidade e flexibilidade que estão no cerne do tratamento especial e diferenciado consagrado pela OMC e reforçados em Doha. O Brasil tem plena consciência do que deve fazer e, na verdade, já tem feito pelos países mais pobres." |
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