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Atualizado às: 03 de novembro, 2005 - 12h38 GMT (10h38 Brasília)
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Anistia cobra investigação sobre violência na Nigéria
Miliciano navega perto da plataforma petrolífera da Chevron na Nigéria
Maior parte do petróleo da Nigéria é extraída no delta do rio Níger
A organização de direitos humanos Anistia Internacional acusou as forças de segurança da Nigéria de assassinar civis desarmados durante protestos contra as empresas petrolíferas Shell e Chevron no delta do rio Níger.

Em relatório que a Anistia divulga nesta quinta-feira, o grupo sediado em Londres pede ao governo nigeriano que investigue dois incidentes ocorridos em fevereiro deste ano, quando soldados teriam matado a tiros 18 manifestantes.

Segundo o relatório, os militares nigerianos usaram força desproporcional e excessiva contra civis.

A força-tarefa integrada por militares foi criada pelo governo nigeriano para proteger as instalações e os funcionários da Shell e da Chevron, ameaçados por uma onda de seqüestros e ataques.

No primeiro incidente, ocorrido em 4 de fevereiro, manifestantes ocuparam Escravos, o principal terminal da Chevron na Nigéria, protestando contra o que eles viam como uma falha da empresa em criar empregos e implementar projetos de desenvolvimento que tinham sido prometidos à comunidade local.

Humilhação e estrupro

Pouco mais de duas semanas depois, em 19 de fevereiro, as forças de segurança invadiram uma vila costeira em Odioma, queimaram a maioria das casas da área e humilharam líderes locais e idosos, acusa a Anistia.

As tropas são acusadas de terem estuprado duas mulheres e causado a morte de 17 pessoas em Odioma.

Nessa comunidade, havia uma disputa local por indenizações a serem recebidas da Shell pela exploração de petróleo e uma pressão para que a companhia paralisasse suas operações.

A Anistia exige no relatório que a Chevron e a Shell realizem uma investigação independente e imparcial sobre seu papel nos incidentes.

A organização, sediada em Londres, diz que as petrolíferas devem ser mais cuidadosas em suas relações com as comunidades, que muitas vezes se ressentem de continuarem pobres diante da riqueza gerada pelo petróleo.

As duas empresas se defenderam das acusações na época dos protestos, alegando que não têm controle sobre as tropas do governo nigeriano.

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