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Governo e rebeldes chegam a pré-acordo sobre Darfur | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo do Sudão acertou com dois grupos rebeldes o esboço de um plano de paz, o que deve permitir a volta de refugiados à violenta região de Darfur, no oeste do país. Chamado de Declaração de Princípios, o acordo foi firmado em Abuja, na Nigéria, após um mês de intensas negociações mediadas pela União Africana. Tanto o Movimento Justiça e Liberdade como o Movimento de Libertação do Sudão assinaram a declaração. Ambos se rebelaram em fevereiro de 2003, protestando contra o que viam como a marginalização da população negra pelo governo central de Kharthoum, dominado por árabes. O governo respondeu com uma forte camapnha de repressão, apoiada pelos Janjaweed, uma milícia acusada pelas Nações Unidas por ataques brutais à população civil de Darfur. Desde então, cerca de 180 mil pessoas foram mortas e mais de dois milhões tiveram de deixar as suas casas por causa do conflito. Termos do acordo Um relatório das Nações Unidas divulgado no início deste ano não acusou o governo sudanês e as milícias que o apóiam de cometer genocídio envolvendo a população não-árabe de Darfur – como pediam os Estados Unidos, por exemplo –mas concluiu que crimes de guerra foram cometidos e pediu a investigação dos envolvidos. A União Africana, que mantém uma força no Sudão para monitorar um frágil cessar-fogo acertado em abril, vem mediando as negociações no país desde agosto do ano passado. No termo assinado nesta terça-feira, governo e rebeldes dizem reconhecer "o direito inalienável de retornar ao seu lugar de origem". O governo também se comprometeu a ceder mais autonomia a Darfur numa futura reforma da Constituição assegurar direito de propriedade. Os dois lados também concordaram em submeter os resultados de futuras negociações à população de Darfur, sem especificar como isso seria feito. "Isto é só o início", afirmou o mediador-chefe da UA, Salim Salim, segundo a agência de notícias France Presse. "Alguns desafios formidáveis vêm pela frente." Salim disse, no entanto, que a declaração envia uma mensagem de paz e estabilidade a Darfur. "Vocês demonstraram a determinação de que não decepcionar o povo de Darfur nem aos seus amigos na comunidade internacional", afirmou o mediador aos signatários da declaração. Entre outros compromissos assumidos na declaração, governo e rebeldes concordam em respeitar a democracia, a independência do Poder Judicário e a "justiça e igualdade para todos, independentemente de etnia, religião e gênero". A reunião desta terça-feira concluiu a quinta rodada de negociações, sem que uma data para a retomada tenha sido prevista. |
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